Erna Solberg, a "conservadora de ferro" que soube unir a centro-direita

Copenhague, 9 set (EFE).- A chefe de governo da Noruega, Erna Solberg, combinou a firmeza que lhe valeu o apelido de "conservadora de ferro" em seu período como ministra com a habilidade para manter os apoios ao seu Executivo em minoria, apesar dos fortes desacordos internos.

Solberg, que em 2013 recuperou o poder para seu partido 23 anos depois e com seu melhor resultado em três décadas, consolidou seu inovador governo de coalizão com o ultranacionalista Partido do Progresso e superou as reticências de democrata-cristãos e liberais para assentar uma fórmula que pode manter o poder após as eleições de segunda-feira.

Sua capacidade negociadora e a recuperação no último ano deixaram para trás o golpe recebido pela economia da Noruega - principal exportador de petróleo e gás da Europa Ocidental - com a queda dos preços e assentaram sua popularidade.

Mas para alcançar sua condição indiscutível de líder da direita norueguesa e converter-se na segunda mulher a dirigir um governo, após a carismática trabalhista Gro Harlem Brundtland, precisou de uma década, e pelo caminho passou por situações comprometedoras que estiveram perto de afastá-la do comando do partido.

No ano que chegou à liderança conservadora, seu partido desabou nas legislativas de 2005, o que lhe obrigou a arriscar o posto nas eleições municipais de 2007.

O triunfo conservador nessas eleições lhe deu fôlego, ainda que os rumores sobre a sua possível substituição sobreviveram até meses antes das eleições gerais seguintes.

Solberg, de 56 anos, melhorou notavelmente os resultados e, ainda que não tenha conseguido evitar a vitória apertada da coalizão do trabalhista Jens Stoltenberg, marcou o início de uma tendência claramente ascendente, culminada quatro anos depois.

Diagnosticada com dislexia aos 16 anos, Solberg trabalhou em tarefas de voluntariado e no movimento estudantil em sua juventude, antes de iniciar sua carreira política em sua cidade natal, Bergen, onde foi vereadora em vários períodos.

Entrou no Parlamento em 1989, quando já tinha finalizado seus estudos de Sociologia e Ciências Políticas, e anos depois presidiu a Associação de Mulheres Conservadoras (1994-1998).

Foi ministra de Administrações Locais e Regionais no segundo governo do democrata-cristão Kjell Magne Bondevik (2001-2005), e dessa época lhe vem o apelido de "Erna de ferro", por sua linha dura em imigração e pelas suas pressões para tentar expulsar do país o líder religioso curdo mulá Krekar.

Seu período como ministra se viu marcado também pelo caso "Vanunu", do espião israelense Mordejai Vanunu, a quem seu departamento negou asilo politico para não turvar as relações políticas com Israel, como se revelou anos mais tarde.

Admiradora da chanceler alemã Angela Merkel, Solberg não teve problemas em falar do seu sobrepeso e inclusive deixa transparecer seu lado mais frívolo, como quando foi flagrada jogando o popular jogo "Pokémon Go" no parlamento, semanas depois que ocorresse o mesmo com a líder liberal, Trine Skei Grande.

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