Gahr Støre, um trabalhista atípico com ampla experiência ministerial

Copenhague, 9 set (EFE).- Jonas Gahr Støre, o líder trabalhista norueguês que espera desbancar os conservadores do governo na próxima segunda-feira, é um politico experimentado com uma dilatada carreira como assessor e ministro em vários governos social-democratas, um corrente à qual não se vinculou até sua maturidade.

Filho de um corretor naval e de uma bibliotecária, Gahr Støre (Oslo, 1960) vem de uma família de sólida posição econômica, graças aos negócios do seu avô na indústria de explosivos.

Após completar seus estudos de ensino médio na Noruega, se mudou em 1981 para Paris para matricular-se no Instituto de Estudos Políticos, onde quatro anos mais tarde se formou.

Gahr Støre continuou um par de anos sua formação acadêmica no exterior até ser recrutado pelo então Executivo de direita como assessor especial do escritório do primeiro-ministro, participando de forma ativa nas negociações do Espaço Econômico Europeu.

Foi nessa época que rejeitou uma oferta para assessorar o Partido Conservador, segundo ele mesmo relatou porque já desde sua época de estudante tinha começado a se identificar com as ideias social-democratas, ainda que até 1995 não tenha se filiado ao Partido Trabalhista, formação da qual é deputado desde 2009.

Durante a década de 1990 assessorou governos de diferente correntes politicas, especialmente a primeira-ministra trabalhista Gro Harlem Brundtland, a quem seguiu em 1998 quando passou a dirigir a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dali saltou ao posto de secretário de Estado no primeiro governo do também trabalhista Jens Stoltenberg (2000-2001), que o recuperou quatro anos depois, quando dirigia a Cruz Vermelha da Noruega, para torná-lo seu ministro de Relações Exteriores, um cargo que exerceu durante sete anos.

À frente da diplomacia norueguesa Gahr Støre se transformou em um dos membros mais populares do governo, conseguiu a assinatura de um acordo com a Rússia sobre a fronteira marinha no mar de Barents após 40 anos de disputas e sobreviveu a um atentado talibã contra um hotel em Cabul no qual morreram oito pessoas.

No último ano de governo passou a dirigir o departamento de Saúde, uma decisão interpretada como uma tentativa de ganhar mais experiência na política nacional.

A derrota da centro-esquerda em 2013 e o posterior abandono da política norueguesa de Stoltenberg para assumir a secretaria geral da Otan lhe abriram o caminho à liderança trabalhista, para a qual foi eleito por unanimidade em maio de 2014.

Há apenas algumas semanas, Gahr Støre parecia perto de recuperar o poder, mas as pesquisas agora não lhe favorecem, coincidindo com seu fracassado flerte com democrata-cristãos e liberais, a recuperação econômica e alguns problemas pessoais, como as críticas aos seus investimentos privados.

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