Incerteza e reviravolta nas pesquisas marcam eleições legislativas na Noruega

Copenhague, 9 set (EFE).- A Noruega realiza nesta segunda-feira eleições legislativas marcadas por um prognóstico ajustado, ainda que com leve vantagem para a coalizão conservadora no poder, após uma campanha marcada pelas discussões sobre política fiscal, o estado de conforto e imigração.

O Partido Trabalhista, a legenda mais votada na Noruega desde 1924, parecia até um par de semanas atrás no caminho de recuperar o poder perdido em 2013, seguindo a tendência das sondagens de meses anteriores que previam um triunfo da centro-esquerda.

No entanto, as pesquisas de opinião deram uma reviravolta desde o início da campanha e agora é o partido da primeira-ministra, a conservadora Erna Solberg, que aparece como favorito.

Principal exportador de petróleo e gás da Europa ocidental, a Noruega sofreu com a queda dos preços no outono de 2014, mas registrou nos últimos trimestres dados positivos de emprego, que, unidos à maior popularidade de Solberg, ajudaram a resistir às tensões internas na direita.

À frente de um governo em minoria e pela primeira vez na Escandinávia com uma força ultradireitista no governo, o Partido do Progresso (Frp), ao longo da legislatura Solberg se safou dos desencontros entre essa força e democratas-cristãos e liberais, as duas formações que, sem fazer parte do Executivo, lhe garantiram a maioria parlamentar.

Ainda que essas desavenças tenham voltado a agravar-se na campanha, em questões como imigração e reduções fiscais, a oposição não parece ter tirado proveito.

O líder trabalhista, o ex-ministro de Relações Exteriores, Jonas Gahr Støre, defendeu um moderado aumento de impostos, ao nível anterior ao da chegada do atual governo conservador, para incrementar o investimento em conforto, bem como uma mudança na retórica sobre imigração.

A Noruega, como os demais países do norte, foi um dos que mais sentiu na Europa os efeitos da crise de refugiados no outono de 2015, o que levou o governo a implantar controles fronteiriços temporários e impulsionar restrições severas na sua política de asilo, reformas apoiadas também parcialmente pelos trabalhistas.

Ainda que as cifras de solicitantes de asilo tenham voltado à normalidade no último ano, a discussão sobre imigração ocupou um espaço considerável, com várias controvérsias incluídas.

O uso do hijab por uma apresentadora da emissora de televisão pública "NRK" originou um acalorado debate politico em um país em que o Executivo apresentou há três meses uma proposta de lei para proibir o uso do véu integral e outras peças que cobrem o rosto em todas as instituições educativas.

Igualmente polêmica foi a viagem da ministra de Imigração, Sylvi Listhaug, à Suécia para visitar um subúrbio de Estocolmo, um dos 55 nesse país nos quais a polícia "não se atreve a entrar", segundo esta política que se transformou no rosto visível da linha dura em imigração norueguesa.

O gesto incomum foi respondido por sua homóloga sueca, a social-democrata Heléne Fritzon, que a acusou de mostrar uma imagem "enganosa" da Suécia com fins eleitorais.

Listhaug já tinha agitado o debate ao viajar meses atrás à ilha de Lesbos para uma simulação de resgate, para "sentir-se" como uma refugiada, ou quando convidou os imigrantes a imitar os noruegueses, "que comem carne de porco, bebem álcool e mostram a cara".

Abrir à exploração petroleira zonas protegidas também foi tema de discussão, ainda que só encontre oposição decidida de ecologistas, liberais e socialistas, que contaram com o apoio explícito em uma concentração do célebre escritor Karl Ove Knausgård.

São precisamente as legendas menores, como o Partido Liberal, Os Verdes e os comunistas que poderiam ter uma influência decisiva nas eleições, já que as sondagens as situam na fronteira do patamar mínimo de 4% e sua entrada ou saída do parlamento podem alterar o panorama pós-eleitoral.

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