Blair propõe permanência na UE, mas com renegociação de normas de imigração

Londres, 10 set (EFE).- O ex-primeiro-ministro trabalhista britânico, Tony Blair, crítico ferrenho do "Brexit", propôs neste domingo que o Reino Unido permaneça na União Europeia (UE), mas que renegocie as normas para a imigração.

Um relatório realizado pelo seu Instituto para a Mudança Global sustenta que, restringindo as condições de entrada ao país, seria possível aplacar as supostas inquietações dos britânicos ao mesmo tempo em que, segundo ele, o Reino Unido poderia ficar no bloco.

Em um artigo complementar, Blair argumenta que "é impossível desviar-se" do "Brexit" "se não forem abordadas as inquietações que levaram a ele", com a votação favorável a sair da UE no referendo de 23 de junho de 2016.

O ex-chefe de governo, da ala de direita do Partido Trabalhista, afirma que uma renegociação com Bruxelas, junto com mudanças na política nacional, alcançaria o duplo objetivo de abordar as preocupações migratórias da população mantendo a permanência na UE.

Segundo as propostas incluídas no relatório, o Reino Unido poderia obrigar os imigrantes da UE a registrar-se ao chegar ao Reino Unido, para que as autoridades soubessem se vêm trabalhar ou a estudar; uma medida que, segundo diz, já é aplicada pela Bélgica.

Além disso, os comunitários só poderiam entrar se tivessem uma oferta de trabalho, e quem não estivesse autorizado não poderia alugar um imóvel, abrir uma conta bancária ou ter acesso a benefícios sociais.

O relatório divulgado hoje propõe ainda proibir o acesso aos serviços de saúde pública aos imigrantes europeus economicamente inativos, e permitir que as universidades cobrem mais dinheiro dos comunitários que dos britânicos.

Blair também propõe negociar com Bruxelas que o Reino Unido possa deter a entrada de comunitários quando detectar alguma pressão sobre os serviços públicos - algo que já tentou ser pactuado sem sucesso pelo ex-primeiro-ministro conservador, David Cameron, antes de convocar o referendo.

Após anos afastado da política ativa, Tony Blair, que ficou muito desacreditado por atuar junto com os Estados Unidos na guerra do Iraque de 2003, aumentou suas aparições públicas desde o referendo do "Brexit" no ano passado.

As propostas divulgadas hoje, nas quais adverte que o Reino Unido só poderia competir com a UE caso se transformasse em um paraíso fiscal ao estilo de Cingapura, lhe valeram numerosas críticas.

Vários conservadores assinalaram que foi o próprio ex-líder trabalhista quem abriu a proibição à imigração em massa ao não impor, diferente de outros países como França e Alemanha, restrições à entrada de imigrantes dos dez países que entraram na UE em 2004.

O ex-ministro "tory", Ken Clarke, um dos poucos abertamente partidários da UE, criticou hoje que Blair siga argumentando que é possível reverter a decisão dos britânicos de sair da União Europeia, e apontou que o que se deve fazer é centrar-se nos "aspectos práticos" para conseguir o melhor acordo com Bruxelas.

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