Diretor do escritório de Suu Kyi rejeita trégua com insurgentes rohingyas

Bangcoc, 10 set (EFE).- Zaw Htay, diretor do escritório da vencedora do Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, no governo de Mianmar, rejeitou neste domingo o cessar-fogo temporário oferecido por um grupo de insurgentes rohingyas.

"Não temos a política de negociar com terroristas", escreveu no Twitter, em referência ao Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA), o responsável pelo Escritório para a Conselheira de Estado.

O ARSA, grupo que atacou no último dia 25 de agosto cerca de 30 postos governamentais no estado de Rakhine, declarou ontem à noite um cessar-fogo unilateral de um mês para permitir a entrada de assistência humanitária à região.

Pelo menos 290.000 rohingyas, a quem o governo birmanês não reconhece a cidadania, fugiram para Bangladesh da violência suscitada em Rakhine.

O exército birmanês respondeu ao ataque dos insurgentes com uma "operação de limpeza" que até o momento deixou pelo menos 414 mortos, a maioria rohingyas, segundo cifras oficiais, ainda que o número possa ser muito mais avultado, segundo apontam organizações independentes.

Outras 30.000 pessoas, entre budistas, indianos e muçulmanos, também tiveram que abandonar seus lares e se encontram em centros de deslocados internos assistidos pelas autoridades.

Desde o início dos enfrentamentos, o ARSA e as forças armadas trocam acusações sobre violações dos direitos humanos.

"O ARSA exige que o governo birmanês responda à pausa humanitária com a cessação das operações de ofensiva militar e participe na assistência de vítimas, qualquer que seja sua etnia ou religião em todas as áreas em conflito", declarou o grupo em um comunicado via Twitter.

As estimativas apontam que mais de um milhão de rohingyas viviam em Rakhine vítimas de uma crescente discriminação desde o surto de violência sectária de 2012, que deixou pelo menos 160 mortos e cerca de 120.000 deles confinados em 67 campos de deslocados.

As autoridades birmanesas não reconhecem a cidadania dos rohingyas, já que lhes consideram imigrantes bengalis, e lhes impõem múltiplas restrições, inclusive a privação de movimentos.

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