Famosa jornalista russa crítica a Putin deixa a Rússia após novo ataque

Moscou, 10 set (EFE).- A famosa jornalista russa Yulia Latynina anunciou neste domingo que decidiu abandonar a Rússia de maneira indefinida na companhia dos seus pais depois que desconhecidos queimaram seu carro na semana passada.

"Estou no exterior. Meus pais também. Dificilmente retornarei à Rússia no curto prazo. Estou realmente assustada", declarou Latynina a meios de comunicação russos.

Latynina, que não especificou o país em que está, sofreu vários ataques e ameaças nos últimos meses, supostamente devido a suas ferozes críticas contra o presidente russo, Vladimir Putin.

"Veremos o que ocorrerá no futuro. Não tenho direito a arriscar a vida dos meus pais. Aqueles que fizeram aquilo (queimar o carro) buscavam causar vítimas. Isto é o mais triste de toda esta história", lamentou.

O incêndio resultante da explosão, que quase se propagou à casa de madeira na qual encontrava-se a jornalista e seus pais fora de Moscou, foi sufocado pelo seu pai antes da chegada dos bombeiros.

"Meu pai, de 79 anos, se arriscou para apagar o fogo. Podia ter explodido o tanque. Só não aconteceu porque não estava cheio. Se ele não tivesse sufocado as chamas, a casa teria queimado, já que as chamas já alcançavam uma altura de quatro metros", explicou.

O Comitê de Proteção dos Jornalistas, com sede em Nova York, se dirigiu no último mês de julho às autoridades russas para que garantissem a segurança da repórter após um ataque contra sua casa.

Há um ano desconhecidos lançaram excrementos contra a repórter, que foi comparada com Anna Politkovskaya, assassinada na porta de sua casa há mais de dez anos.

Latynina foi precisamente premiada no sábado passado com o prêmio que leva o nome da jornalista assassinada.

"Está claro que voltarei só quando tenha certeza que a ameaça desapareceu ou haja motivos de peso para supor que se dissipou", reforçou.

Latynina, que colabora assiduamente com o jornal opositor "Novaya Gazeta", em que trabalhava Politkovskaya, apresentou à distância ontem à noite seu programa semanal de rádio.

Em março de 2015 a jornalista já havia deixado a Rússia de maneira provisória após seu nome figurar em uma suposta lista negra de pessoas críticas ao Kremlin.

A jornalista, de 51 anos, recebeu vários prêmios nacionais e internacionais ao longo da sua carreira, além de publicar vários romances de ficção.

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