Maduro busca apoio no mundo islâmico em meio a tensões com os EUA

Astana, 10 set (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, procurou neste domingo apoio no mundo islâmico em meio às tensões com os Estados Unidos, tanto no plano político como petroleiro, ao participar na cúpula da Organização para a Cooperação Islâmica (OIC).

"O povo venezuelano, especialmente nos últimos seis meses, foi testemunha de invasões e intervenções dos EUA, mas resistiremos a essas pressões mantendo a nossa união", disse Maduro ao se reunir com o presidente do Irã, Hassan Rohani.

O líder venezuelano chegou ontem à noite a Astana, capital do Cazaquistão, para participar na cúpula islâmica com o objetivo de romper o isolamento diplomático, reforçar a independência financeira e evitar o possível colapso econômico de seu país devido às novas sanções americanas.

Além de abordar "petróleo, geopolítica e cooperação" com Rohani, Maduro também se reuniu com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e foi recebido pelo presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev.

Em sua chegada à capital cazaque, afirmou que a missão de sua "visita relâmpago" era "diversificar" as relações econômicas com os países árabes e consolidar as relações com as nações que não fazem parte da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep).

De fato, sua viagem ao Cazaquistão para "abrir comportas" teve uma breve escala na Argélia, um dos maiores produtores mundiais de gás e petróleo.

Maduro foi convidado a participar da cúpula da OIC, que integra 57 países, como presidente do presidente do Movimento de Países não Alinhados (MNOAL), cargo que ocupará até 2019.

"É tempo de lutar por outro mundo. É tempo de lutar por um mundo sem guerras, sem terrorismos, sem impérios hegemônicos", assegurou, em clara alusão aos EUA, a quem acusa de fazer pressões para provocar sua derrocada.

Nesse sentido, ressaltou que, apenas unidas, ambas organizações poderão "avançar nestes objetivos de justiça e paz".

"Na Venezuela revolucionária e bolivariana acreditamos profundamente que é tempo para o diálogo, para um diálogo profundo de culturas, civilizações e de religiões", reforçou.

O líder venezuelano apontou que ambas organizações compartilham princípios como o "multilateralismo inclusivo", que qualificou como "ferramenta mais efetiva" para abordar os desafios globais.

"E a rejeição da ameaça ou uso da força contra a integridade territorial ou independência política dos estados e a rejeição da imposição de sanções unilaterais em conformidade com as disposições da carta das Nações Unidas e as normas do direito internacional", acrescentou.

Maduro também destacou a postura comum de "defesa da resolução pacífica de controvérsias, da democracia, do desenvolvimento e do respeito de todos os direitos humanos e das liberdades fundamentais".

Quanto ao conflito palestino-israelense, salientou que o MNOAL pede com urgência "uma solução justa, duradoura, integral e pacífica ao conflito" e "condena as práticas ilegais da potência ocupante".

O presidente venezuelano tinha previsto se reunir em Astana com representantes dos países membros da Opep, mas também com outros produtores que não fazem parte da organização.

Sua intenção era apresentar propostas sobre a fixação do preço do petróleo, em relação à reunião da Opep de 22 de setembro em Viena, na qual a organização poderia prorrogar a decisão tomada em dezembro de baixar a produção para aumentar os preços do produto.

Maduro reconheceu que planejava apresentar em Astana uma fórmula para estabilizar e levar os preços do barril de petróleo e do gás a níveis sustentáveis.

O ministro de Petróleo da Venezuela, Eulogio del Pino, participou ontem na capital cazaque de reuniões com países produtores, e explicou que o objetivo é estabilizar não só os preços do petróleo, mas também os de gás e de outras fontes de energia.

Antes de viajar para o Cazaquistão, Maduro anunciou que, com o objetivo de reduzir a dependência da Venezuela do dólar e das pressões dos Estados Unidos, Caracas se propõe vender gás e petróleo em iuanes, ienes, rublos e rupias, entre outras moedas.

Essas medidas têm o objetivo de fortalecer o "modelo socialista" implantado durante as últimas duas décadas pelo chavismo na Venezuela.

Maduro viaja acompanhado de uma delegação de constituintes presidida pelo presidente da Comissão Internacional, Adán Chávez, irmão mais velho do ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez.

Enquanto isso, os venezuelanos votam neste domingo nas primárias convocadas pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática para escolher seus candidatos nas eleições de governadores, que serão realizadas em outubro.

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