Novas explosões na rota de fuga dos rohingyas deixam 3 mortos e 1 ferido

Bangcoc/Daca, 10 set (EFE).- Pelo menos três pessoas morreram e outra ficou ferida neste domingo após a ocorrência de novas explosões de minas colocadas na fronteira entre Mianmar e Bangladesh, por onde pelo menos 290.000 rohingyas fugiram do território birmanês.

A Anistia Internacional (AI) denunciou que durante este domingo se registraram pelo menos duas explosões no oeste de Mianmar e que há um mínimo de três locais onde o exército birmanês plantou minas para frear o êxodo dos rohingyas.

"Escutamos o som de uma explosão a cerca de 100 metros da fronteira na noite do sábado. Um sobrevivente que ficou ferido nos disse que três pessoas morreram no local", declarou à Agência Efe o tenente coronel Manzurul Hasan Khan, postado no sudeste de Bangladesh.

AI acusou ontem diretamente o Tatmadaw, como são conhecidas as forças armadas birmanesas, de colocar os artefatos explosivos nos caminhos que levam à fronteira e "que têm como alvo deliberado os refugiados rohingyas".

"Esta é uma maneira cruel e insensível de aumentar a miséria das pessoas que fogem de uma campanha sistemática de perseguição", disse hoje Tirana Hassan, diretora da AI para a Resposta de Crises Internacionais.

Segundo fotografias e vídeos aos quais a AI teve acesso, os dispositivos utilizados são do tipo PMN-1, fabricados na década de 50 pela extinta União Soviética (então aliada da junta militar que governou Mianmar até 2011).

Este artefato, que contém uma carga de 250 gramas de explosivo, foi elaborado para causar a amputação dos membros da pessoa que a ativa.

Até o momento, o exército birmanês não confirmou nem desmentiu as informações, ainda que o porta-voz do escritório da vencedora do Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, líder de fato do governo e a cargo da Secretaria de Estado, tenha negado nesta semana que os soldados governamentais tenham colocado as minas.

O porta-voz governamental apontou ainda os insurgentes rohingyas, a quem qualificou como "terroristas", como responsáveis de plantar os explosivos.

O governo de Daca levou uma queixa formal perante as autoridades de Naypyidaw sobre este assunto.

O êxodo dos rohingyas, a quem o governo de Mianmar não reconhece a cidadania, se intensificou desde o último dia 25 de agosto, após o ataque armado do Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA) contra cerca de 30 postos policiais.

O exército birmanês respondeu ao ataque dos insurgentes com uma "operação de limpeza" que até o momento deixou pelo menos 414 mortos, a maioria rohingyas, segundo cifras oficiais, ainda que o número possa ser muito mais avultado, segundo apontam organizações independentes.

O ARSA declarou ontem à noite um cessar-fogo de um mês para permitir a entrada de assistência humanitária à região, que foi rejeitado hoje pelo diretor do escritório de Suu Kyi.

As estimativas apontam que mais de um milhão de rohingyas viviam em Rakhine (antiga Arakan) vítimas de uma crescente discriminação desde o surto de violência sectária de 2012, que deixou pelo menos 160 mortos e cerca de 120.000 deles confinados em 67 campos de deslocados.

As autoridades birmanesas não reconhecem a cidadania dos rohingyas, já que lhes consideram imigrantes bengalis, e lhes impõem múltiplas restrições, inclusive a privação de movimentos.

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