Capital equatoriana reforça luta contra assédio sexual no transporte público

Quito, 13 set (EFE).- A capital do Equador, Quito, reforçou a luta contra o assédio sexual com a ampliação de uma campanha para proteger as vítimas no serviço de transporte público, que até agora levou quatro pessoas a serem sentenciadas com penas que vão de um a três anos de prisão.

Fruto de alarmantes estatísticas realizadas pela ONU Mulheres há dois anos, a campanha "Bájale al acoso" nasceu após conhecer-se que 81% das mulheres considera ter sido assediada no transporte público e 91% em espaços públicos, segundo a presidente do patronato municipal San José, María Fernanda Pacheco.

Pacheco disse à Agência Efe que o transporte público tem mais de milhão de passageiros por dia, o que significa que 70% da população ativa usa o transporte municipal.

Ainda que as cabines para receber denúncias colocadas em certas estações há algum tempo tenham dado resultado, verificou-se que por ser uma situação delicada, por falta de tempo, pelo medo e por vergonha, as vítimas nem sempre apresentavam a denúncia. Houve 400 em mais de dois anos.

Agora a palavra ASSÉDIO e o número da unidade em uma mensagem de texto gratuita pelo celular ao número 6367 chega a uma central de operações que se comunica imediatamente com o motorista do transporte e um alarme é ativado.

Enquanto os alto-falantes anunciam: "Neste momento, foi registrada uma situação de assédio sexual dentro desta unidade de transporte. Solicitamos aos passageiros que se mantenham alertas e respeitem quem está ao seu lado", o centro de operações liga para um fiscal da próxima estação e para a polícia metropolitana.

Estando a par, a central liga para a vítima para continuar: não avançar em procedimentos legais, desembarcar da unidade e no próximo ponto ser acompanhada para fazer a denúncia naquele momento ou, se desejar, fazê-la mais tarde.

"O importante é que haja um acompanhamento. Em média estamos demorando 58 segundos para responder à chamada da pessoa que tenha feito a denúncia", comentou Pacheco, apontando que já foram registrados 560 casos denunciados por mulheres, e deles 24 chegaram a instâncias judiciais.

No momento, um equatoriano de 67 anos, que esfregou seu órgão sexual ereto nas nádegas de uma mulher de 47, cumpre um ano de prisão, mesma pena de um colombiano de 42 anos que ejaculou na perna de uma usuária de 16 anos de idade no transporte.

O controlador de uma unidade de transporte que tocou os seios e glúteos de uma usuária de 39 anos cumpre 14 meses de prisão, enquanto que se encontra em apelação uma sentença de três anos contra um homem de 35 anos que apoiou seu pênis nas nádegas de uma mulher de 22.

O sistema, em funcionamento desde o último mês de março, está disponível em 120 ônibus, previsto para mais 220 unidades do transporte público e, inclusive, ser disponibilizada mais tarde a possibilidade de se denunciar possíveis casos em táxis através das mensagens de texto.

Pacheco lamentou que se assuma "como normal" os comportamentos de assédio. "Na nossa cidade é absolutamente natural, e isso tem uma consequência direta nas estatísticas em alta de feminicídios, já que comportamentos assim no transporte público apoiam outros de violência em espaços privados", explicou.

Por isso é indispensável uma mudança de comportamento, que os casos cheguem à Justiça. O alarme nos ônibus promove uma consciência cidadã e uma sanção social.

"Cerca de 65% dos casos reportados de assédio, nos comunicaram que as pessoas em volta viam o que acontecia e ninguém fazia nada", revelou Pacheco, ao comentar que isso acontece "porque é normal, em grande parte, ou porque as pessoas estão muito ocupadas ou não querem se envolver".

Pacheco, para quem o importante é que a sociedade se envolva para romper os círculos de violência, assegurou que a ligação da central em resposta à mensagem da vítima tem o objetivo de acompanhamento e proteção.

E, enquanto o alarme gera uma mudança de atitude entre os ocupantes do transporte público, cinco ou seis pessoas, psicólogos entre eles, atendem a vítima: homem ou mulher, que vê nos ônibus mensagens como: "Se te tocam sem permissão, se te olham e isto te incomoda, se te dizem grosserias, denuncie!".

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