Emprego: a oportunidade dos refugiados sírios de viver dignamente nos campos

Abdul Khalil Mustafa.

Zaatari (Jordânia), 13 set (EFE).- Empregar os refugiados sírios para que saiam da entediante rotina que vivem no campo jordaniano de Zaatari, o segundo maior do mundo e que fica 85 quilômetros ao nordeste de Amã, é um raio de esperança para que essas pessoas possam viver dignamente.

O primeiro escritório de trabalho recentemente criado no campo de Zaatari, estabelecido conjuntamente pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e o governo jordaniano, já empregou cerca de 1,8 mil sírios desde que foi inaugurado, no último dia 16 de julho.

Os setores de agricultura e construção são os mais procurados, segundo explicou a responsável pela comunicação externa do ACNUR, Marwa Hashem, à agência "EPA".

"Estas estatísticas dependem das permissões de entrada e saída dos registrados. O número pode ser superior a 1,8 mil porque alguns refugiados estão inscritos no sistema", afirmou.

Muitas das pessoas que vivem no campo - lar de aproximadamente 80 mil sírios que fugiram da guerra no país natal desde 2011 - solicitam estas licenças de trabalho "porque facilita a mobilidade (entrada e saída do campo) e os permite ganhar dinheiro, o que lhes dá dignidade", analisou Hashem.

Não importa em qual setor, os trabalhadores sírios só querem estar empregados, "seja na agricultura, na construção" ou qualquer outra ocupação.

De acordo com Laura Buffoni, representante do ACNUR dedicada a supervisionar o estilo de vida nos campos jordanianos, o escritório de trabalho em Zaatari é o primeiro para os refugiados sírios, "algo novo" para eles na região.

"Tal projeto já aconteceu nos territórios palestinos, mas, para os sírios nos acampamentos do Oriente Médio, é a primeira vez", disse Buffoni.

A funcionária do ACNUR antecipou que "muito em breve" será aberto "outro escritório de emprego no campo de refugiados de Azraq", também na Jordânia, onde estão cerca de 36 mil sírios.

"Eles (os refugiados sírios) estão muito orgulhosos de que o governo jordaniano, a OIT e o ACNUR tenham se unido e encontrado um modo de trabalhar nisto", ressaltou.

Em 2016, a Jordânia se tornou o primeiro país árabe a expedir permissões legais de trabalho para os refugiados sírios, seguindo o compromisso que assumiu em uma conferência em Londres de reduzir as barreiras para o emprego legal de refugiados.

No entanto, este passo incomodou alguns setores no país, já que a mão de obra jordaniana convive com uma taxa de desemprego superior a 15%.

"O escritório de trabalho oferece serviços gerais de emprego aos refugiados sírios, incluindo conselhos vocacionais, cursos de treinamento, serviços de marketing e permissões para trabalhar no setor agrícola e de construção", comentou Mohammed al Azam, especialista da OIT que trabalha em oficinas vocacionais.

Segundo Azam, é "muito raro" ver pessoas com ensino superior completo entre os refugiados sírios que se encontram no campo, "a maioria dos sírios têm educação primária e secundária".

Mesmo assim, não há nenhum obstáculo para quem quiser trabalhar, pois "os que são qualificados devem frequentar um curso de quatro dias da OIT e serem aprovados em uma prova antes de receberem uma licença de trabalho para desempenhar uma determinada ocupação".

Azam também detalhou que o número de mulheres representa entre 5% e 6% do total de trabalhadores sírios.

"A maioria das mulheres trabalha na agricultura já que vieram das regiões agrícolas do sul da Síria e não precisam de nenhum outro tipo de qualificação para trabalhar nesse setor", especificou.

A maioria dos refugiados sírios que obtiveram licenças de trabalho realizam tarefas nas províncias de Mafraq e Irbid, no norte e no nordeste do país.

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