Juncker quer todos países da UE na zona euro para evitar novo "Brexit"

Lara Malvesí

Estrasburgo (França), 13 set (EFE).- O presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, propôs nesta quarta-feira que todos os países da União Europeia estejam no euro e no acordo de Schengen perante a saída do Reino Unido, uma medida para evitar novos "brexit" pensada especialmente para os países mais ao leste da UE.

O chefe do Executivo europeu mudou seu discurso e advogou por uma Europa com só uma velocidade, onde os membros da UE e da Zona Euro sejam os mesmos, e os 27 estejam, além disso, na união bancária e no acordo de Schengen.

O caminho para essa UE de modelo único, "na qual não haveria países e nem cidadãos de segunda classe", se resolvido mediante um instrumento de adesão ao euro que dê ajuda financeira a todos os países que queiram fazer isso.

Juncker também apontou que o objetivo é que todo o bloco faça parte da união bancária, um grão de areia a mais para uma sonhada integração econômica que também ajudará a construir um Ministério de Finanças europeias.

O luxemburguês precisou que não se trataria de criar um novo cargo, senão que o comissário europeu de Economia e Fazenda assuma essas funções e também a presidência do Eurogrupo, o órgão informal que reúne os ministros de Economia e Finanças da Zona Euro.

Sobre Schengen, pediu que a Bulgária e a Romênia entrem no acordo que permite circular sem fronteiras interiores de forma "imediata", uma decisão que bloqueia, entre outros, e como costuma fazer para todo tipo de assuntos de Justiça e Interior, o próprio Reino Unido.

Essa nova Europa simétrica é para Juncker o passo "valente" que a Europa necessita dar neste momento, uma lição de "coragem" que disse ter aprendido com europeus no passado, como Jacques Delors e Helmut Kohl.

Juncker não pronunciou a palavra "brexit" e nem nomeou o parceiro britânico até exatamente uma hora após começar seu discurso solene na Eurocâmara, contaram fontes do seu gabinete.

"A saída do Reino Unido é dolorosa, lamentaremos, mas eles também", disse Juncker, que explicou que o "brexit" foi sua maior decepção em toda uma vida dedicada ao projeto europeu, pelo qual disse sentir "amor". "Mas não há amor sem decepção", acrescentou.

Para fazer menos dolorosa a saída do Reino Unido em 29 de março de 2019, Juncker propôs ao resto de líderes a realização de uma cúpula na Romênia, que ostentará então a presidência, para celebrar a nova etapa da união e fechar politicamente os assuntos pendentes.

Desde a CE, contaram fontes diplomáticas, temem que nas eleições europeias no mês de maio, só dois meses após a saída do Reino Unido da UE, os movimentos populistas utilizem o exemplo do brexit para seus argumentos eurocéticos.

No capítulo de propostas concretas, estão novos pacotes para estimular o comércio, a indústria e a cibersegurança.

Também medidas de eficácia e transparência das instituições, como um código de nova conduta para os comissários europeus.

O melhor atendimento a clientes do discurso foi de sua família política, o Partido Popular Europeu, apesar de seu líder, Manfred Weber, falar mais de fronteiras e controles à imigração que Juncker, que reiterou a ideia de que "a Europa deve ser o lugar ao qual possam se dirigir aqueles que sejam perseguidos pelas guerras no mundo".

Grupos parlamentares como os sociais-democratas europeus, a Esquerda Unitária e os Verdes disseram lamentar a falta de mais menções ao pilar social e à mudança climática.

O ex-premiê de Luxemburgo, de 62 anos, já declarou em várias ocasiões que em 2019 não será candidato à presidência do Executivo comunitário.

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