Premiê da Suécia é alvo de moção de censura por vazamento de dados do governo

Copenhague, 13 set (EFE).- O Democratas da Suécia (SD), partido de extrema-direita e que representa a terceira força do parlamento, apresentou nesta quarta-feira uma moção de censura contra o primeiro-ministro do país, o social-democrata Stefan Löfven, pelo seu papel no escândalo do vazamendo de dados de um órgão do governo.

O caso, que afeta a Agência Sueca de Transportes, provocou no fim de julho a saída de dois ministros do após o anúncio da coalizão de oposição de centro-direita, a Aliança, de uma moção de censura contra eles.

O SD acusou Löfven de não assumir sua responsabilidade no vazamento. Apesar de reconhecer que a moção de censura não avançará pela rejeição da Aliança, principal grupo de oposição, o partido defendeu o valor da ação como protesto contra o governo.

"Não vamos apoiar uma moção contra o premiê, não há motivos tão graves atualmente que a justifiquem. Não temos informações suficientes", disse Annie Lööf, líder do Partido do Centro, segunda força dentro da coalizão de oposição.

O parlamento da Suécia já rejeitou em janeiro uma moção de censura do SD contra Löfven. Na ocasião, a Aliança se absteve.

A Aliança deve decidir, além disso, se cumpre a ameaça de apresentar nos próximos dias uma moção similar contra o ministro de Defesa, Peter Hultqvist, aguardando que o governo explicará o caso à Comissão Constitucional do Parlamento.

Segundo a versão oficial, Hultqvist foi alertado em março de 2016 que a cúpula das Forças Armadas e os serviços de inteligência tinham tomado medidas para acabar com o vazamento de dados e minimizar possíveis danos, mas não informou ao premiê porque considerou que Löfven sabia do problema pelos canais usuais do governo.

Dois dos quatro partidos da Aliança insinuaram nos últimos dias que poderiam retirar a moção contra Hultqvist, um ministro popular e com o qual a oposição fez vários acordos durante esta legislatura.

A Agência Sueca de Transportes terceirizou sua gestão informática em 2015, seguindo uma determinação do governo anterior, de centro-direita. Funcionários contratados na República Tcheca, sem as autorizações necessárias, tiveram acesso à base de dados do órgão, com informação sobre todos os veículos da Suécia.

Essa base inclui dados sobre veículos usados pela polícia e pelo Exército, assim como identidades protegidas, registros policiais e rotas de carros-fortes que transportam grandes quantias de dinheiro.

Apesar do escândalo, não há indício de que os funcionários terceirizados tenham repassado essas informações ou que elas tenham sido usadas de forma inadequada.

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