Ex-estrela japonesa da luta livre trabalha em prol do diálogo com Pyongyang

Antonio Hermosín.

Tóquio, 15 set (EFE).- A ex-estrela japonesa da luta livre e agora senador, Antonio Inoki, tem se destacado como o maior defensor do diálogo com a Coreia do Norte, país que visitou em mais de 30 ocasiões para organizar eventos esportivos e promover uma aproximação com o Japão.

Este carismático personagem iniciou sua carreira política em 1989, sem ter abandonado os ringues, e desde então viaja com frequência à Coreia do Norte com o objetivo de "manter as portas abertas" e "incentivar o intercâmbio cultural e esportivo", segundo disse recentemente em um encontro com jornalistas em Tóquio.

Seus contatos com o país foram facilitados por seu mentor, o mítico lutador de origem coreana Rikidozan (1924-1963), a quem conheceu durante uma exibição em São Paulo, onde Inoki morava desde que sua família emigrou após a Segunda Guerra Mundial.

Em suas múltiplas visitas a Pyongyang, organizou competições com lutadores de diversos países e para grandes públicos - em 1995 chegou a reunir 190 mil espectadores no estádio Primeiro de Maio Rungrado -, e teve reuniões com funcionários do alto escalão do regime liderado por Kim Jong-un.

"A Coreia do Norte está sempre aberta a propostas de diálogo e a visitas de delegações estrangeiras", afirmou Inoki, que retornou recentemente de sua última viagem em um momento de alta tensão por conta do sexto teste nuclear norte-coreano e das novas sanções internacionais.

Inoki tenta há anos impulsionar a viagem de um grupo de parlamentares do Japão ao país vizinho, uma iniciativa "cheia de obstáculos", dada a relutância do primeiro-ministro Shinzo Abe, embora acredite que "uma parte cada vez maior da sociedade japonesa é partidária do diálogo".

O político e ex-lutador de 74 anos, uma figura muito querida em seu país, observa semelhanças entre um combate sobre o ringue e a atitude de Kim Jong-un e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Vemos como os líderes levantam cada vez mais seus punhos um diante do outro. Não importa quem tenha começado o confronto, a questão agora é quem será capaz de diminui-lo antes", destacou Inoki, que quer que o Japão seja mediador do diálogo "por ter sido o único país do mundo atacado com a bomba atômica".

Desde os tempos de lutador, Inoki mantém boa parte de suas características marcantes, como o inseparável cachecol vermelho - antes entrava no ringue com uma toalha da mesma cor - e seu grito de combate "Ichi, ni, son, daa!" ("Um, dois, três, daa!), que lança a cada vez que faz alguma aparição pública, acompanhado de uma canção composta especialmente para ele.

O agora senador, cujo nome real é Kanji Inoki, adotou como apelido o nome do ex-lutador ítalo-argentino Antonino Rocca, e devido à sua grande popularidade, decidiu mantê-lo também na carreira política, que iniciou com a sua própria legenda, o Partido do Esporte e da Paz.

Em 1976, chegou a enfrentar em Tóquio o lendário boxeador Muhammad Ali em um combate de exibição que terminou empatado e foi considerado como precursor da disciplina moderna das artes marciais mistas.

Sua maior conquista política até agora aconteceu no início dos 90, quando viajou ao Iraque em uma "missão diplomática individual e não oficial" para organizar uma competição de luta livre e negociar com Saddam Hussein, o que permitiu a libertação de 41 reféns japoneses antes da Guerra do Golfo.

Mas sua carreira parlamentar foi interrompida em 1995, quando foi envolvido em um escândalo sobre o financiamento ilegal de seu partido e seus supostos vínculos com a Yakuza, a máfia japonesa.

Inoki retornou à política e foi eleito senador em 2013 como candidato do nacionalista Partido pela Restauração do Japão e, desde então, intensificou suas visitas à Coreia do Norte.

Agora resta saber se sua "diplomacia do esporte" para o país mais isolado do mundo, da qual Inoki é um dos maiores expoentes atuais, junto ao ex-jogador de basquete americano Dennis Rodman, dará frutos reais ou é mais uma de suas habituais aparições midiáticas em que lembra seu passado dourado.

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