Fome no mundo volta a crescer pela primeira vez desde 2003

Belén Delgado.

Roma, 15 set (EFE).- A fome cresceu em 2016, pela primeira vez desde 2003, afetando 815 milhões de pessoas, a maioria delas em países que sofreram com conflitos ou desastres naturais.

As agências da ONU para a alimentação apresentaram nesta sexta-feira, junto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), os últimos números sobre o estado mundial da segurança alimentar e da nutrição.

O relatório destaca que, após mais de uma década de avanços na luta contra a fome, o número de pessoas afetadas pelo problema cresceu em 38 milhões em relação a 2015. Em números percentuais, os 815 milhões de afetados equivalem a 11% da população mundial, voltando aos níveis registrados em 2012.

Confirmadas as estimativas preliminares, a comunidade internacional se afastaria de um dos objetivos propostos há dois anos na Agenda 2030: erradicar a fome e a má nutrição.

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, indicou que a segurança alimentar se deteriorou principalmente na África Subsaariana e em diversas partes da Ásia pelo impacto dos conflitos, muitas vezes combinados com secas e inundações.

Graziano também citou que, em alguns países da América do Sul, o auge da fome teve relação com o desaquecimento da economia, que diminuiu os recursos dos governos, afetando os salários mínimos e provocando cortes nas redes de proteção social.

Por continentes, quase 520 milhões de pessoas não tinham o suficiente para se alimentar em 2016 na Ásia. Na sequência vem a África, com 243 milhões de pessoas na mesma situação, e a América Latina e o Caribe, com 42,5 milhões de pessoas.

Segundo a FAO, dois terços dos que passam fome vivem em países afetados pela violência, assim como 75% das 155 milhões de crianças que têm problemas de crescimento pela desnutrição crônica, um número que caiu em 1 milhão na comparação com 2015.

Diante desse panorama, Graziano pediu proteção aos mais pobres e uma combinação de ajuda humanitária emergencial com ações de desenvolvimento que, além de garantir a sobrevivência, salvem os meios de vida dessas pessoas afetadas pela fome.

Depois de ter sido declarado neste ano uma crise de fome no Sudão do Sul e países como Iêmen, Somália e o nordeste da Nigéria terem vivido situações quase similares, o diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA), David Beasley, pediu que os líderes mundiais exerçam a pressão necessária para encerrar os conflitos e para acabar com a fome.

"A insegurança alimentar aumentou. Com toda a tecnologia e toda a riqueza existentes, isso é uma vergonha", afirmou Beasley, elogiando o trabalho das agências da ONU que, se não existissem, segundo o diretor da FMA, os números seriam "significativamente piores".

O presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), Gilbert Houngbo, afirmou que influenciaram no aumento "políticas equivocadas, pobre governança e falta de compromissos sustentados para agir".

Além disso, destacou a necessidade de investimentos para reforçar a segurança alimentar, de combater a mudança climática e de estimular a produtividade da agricultura nos países onde a fome se concentra, especialmente nas áreas rurais.

Abordar as raízes do problema e dedicar novos esforços para garantir a paz e a inclusão social fazem parte da receita para solucionar a questão, segundo o relatório da ONU, que cita diferentes formas de má nutrição. A obesidade é uma delas, e tem afetado cada vez mais crianças e adultos.

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