Governo do Burundi acusa UE de tentar provocar mudança de governo

Genebra, 15 set (EFE).- O governo do Burundi acusou nesta sexta-feira a União Europeia (UE) de tentar provocar a queda do presidente Pierre Nkurunziza e de utilizar para este fim o Conselho de Direitos Humanos da ONU, que apresentou um relatório que responsabiliza autoridades do país por crimes contra a humanidade.

"A União Europeia e seus parceiros tradicionais estão travando sua última batalha para alcançar uma mudança de governo no Burundi e para isso estão desestabilizando e destruindo um país soberano, como fizeram no passado com Líbia, Iraque e Síria", disse o responsável de Comunicação da presidência burundinesa, Willy Nyamitwe.

O funcionário disse que a UE está instrumentalizando o Conselho de Direitos Humanos, que criou uma comissão investigadora independente sobre os crimes ocorridos no Burundi desde abril de 2015.

Foi então que explodiu a violência política por conta do anúncio do presidente que se candidataria a um terceiro mandato presidencial consecutivo.

Os investigadores reuniram evidências sobre a persistência de execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, torturas, violência sexual e detenções arbitrárias.

Em geral, as vítimas eram opositores políticos, seus familiares ou pessoas próximas.

Nyamitwe atacou o conteúdo desse relatório, que pede à ONU que leve o caso do Burundi ao Tribunal Penal Internacional.

Segundo o conselheiro presidencial, se pretende utilizar essa estrutura jurisdicional para desacreditar seu governo e pôr no lugar de Nkurunziza um presidente favorável aos interesses de poderes estrangeiros.

"Rejeitamos as conclusões do relatório do Conselho de Direitos Humanos porque são totalmente parciais", acrescentou.

Perguntado sobre o interesse que a UE teria em provocar uma mudança de governo em Burundi, Nyamitwe sustentou que este seria de ordem econômica, concretamente pelas riquezas minerais do país.

"Estamos entre os dez países com maiores reservas de níquel, assim que o interesse econômico se esconde por trás de supostas preocupações sobre direitos humanos e democracia", argumentou.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos