Parlamento peruano força saída de primeiro-ministro e todo seu gabinete

Lima, 15 set (EFE).- O Congresso do Peru retirou, nesta sexta-feira, seu apoio ao gabinete do primeiro-ministro Fernando Zavala, o que obrigará sua saída, juntamente com todos os ministros, e com isso acontecerá a formação de um novo Executivo em até 72 horas.

O grupo majoritário na câmara, o fujimorista Força Popular, foi o artífice da retirada do apoio ao premier durante um debate que se prolongou por mais de sete horas, em que seus 71 deputados advertiram que votariam contra o apoio ao gabinete.

No final, 77 deputados se recusaram a confiar em Zavala e seus ministros, 22 apoiaram e 16 deputados se abstiveram entre os 115 que estiveram presentes na votação.

"Estou aqui, no âmbito das funções da Constituição, apresentando a questão de confiança, para garantir a política educativa e a governabilidade", disse Zavala, ao se apresentar diante do pleno do Congresso.

Acompanhado pelo gabinete na íntegra, Fernando Zavala disse aos legisladores que "nas últimas semanas, ficou evidente uma situação de querer minar uma política de estado fundamental, sobre a qual os peruanos não querem retroceder".

O chefe do governo falou, dessa forma, sobre as críticas contra a lei de carreira magisterial, rejeitada por vários sindicatos de professores estatais que promoveram uma longa e indefinida greve, e o anúncio da maioria opositora no Congresso, a Força Popular, de pedir a censura da ministra da Educação, Marilú Martens, por este motivo.

O primeiro-ministro peruano acrescentou que esta crucial reforma educativa "está sendo ameaçada por grupos radicais" e advertiu que "não podemos cair no jogo dos extremistas, nem entregar a eles um ministro como troféu".

Zavala disse que "quando se torna público que, pela segunda vez, pretende censurar quem é responsável pela política educacional, o país não pode continuar avançando".

"Agora é responsabilidade do Congresso decidir se deve ou não conceder" a confiança, exigindo uma votação hoje mesmo, pois o "país não pode esperar", acrescentou.

Após o seu discurso, Zavala e os integrantes do Conselho de Ministros abandonaram a câmara e, após um intervalo, os legisladores começaram o debate da questão de confiança.

Durante o debate, ficou evidente desde o início que o fujimorista não apoiaria o Executivo, o acusando de "irresponsável" pela iniciativa e de querer forçar uma crise.

A legisladora Lourdes Alcorta, da Força Popular, disse que Zavala queria "enfrentar o Congresso, pois todo o mundo está pedindo sua cabeça".

Ela acrescentou que o ministério da Educação está cheio de "caviares e fofocas" (em alusão à esquerda peruana), procedente do anterior governo de Ollanta Humala.

Seu colega de bancada, Daniel Salaverry, afirmou não temer que o Congresso seja fechado, em caso o Executivo se veja nessa posição, pela rejeição da confiança em uma segunda oportunidade, pois "não viemos por um salário ou por submissão".

O legislador de Ação Popular, Víctor Andrés García Belaunde, afirmou que "Fernando Zavala quer que pratiquemos a eutanásia, quer uma morte sem dor. Politicamente está morto", disse.

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