Perícia conclui que Nisman foi "drogado e assassinado", diz jornal argentino

Buenos Aires, 15 set (EFE).- Uma perícia da polícia da Argentina indicou que o promotor Alberto Nisman, cuja morte, em janeiro de 2015, segue sem ser esclarecida, foi "agredido, drogado e assassinado" em seu apartamento em Buenos Aires.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira pelo jornal "Clarín". A hipótese foi levantada após a reconstituição da morte realizada por policiais, que consideraram que o procurador, morto com um tiro na cabeça quatro dias depois de denunciar a então presidente Cristina Kirchner de encobrir terroristas iranianos, foi atingido no nariz e nos rins, ficando sob efeito da droga cetamina.

Depois, segundo o "Clarín", duas pessoas teriam matado Nisman.

Em janeiro, o promotor Eduardo Taiano ordenou que a polícia montasse uma equipe de especialistas para chegar a uma "única conclusão, clara e precisa, com certeza científica" sobre Nisman foi morto ou se suicidou.

Para realizar o relatório, elaborado por uma junta interdisciplinas composta de 23 especialistas da polícia e peritos, as autoridades fizeram uma reconstituição do cenário da morte de Nisman, o banheiro de seu apartamento no bairro de Puerto Madero.

Apesar de Taiano ainda não ter recebido as conclusões do relatório e nenhum órgão judicial confirmar seu conteúdo, alguns veículos da imprensa argentina afirmam que os peritos determinaram que o promotor foi assassinado.

"A Gendarmaria (polícia militarizada) Nacional informa que a Direção de Criminalística e Estudos Forenses não produziu nenhum relatório final conclusivo da junta interdisciplinar em relação às perícias do chamado 'caso Nisman'", disse o órgão em nota.

"No momento correto, as conclusões periciais finais serão apresentadas às autoridades judiciais pertinentes", completou.

Por sua vez, o advogado das filhas de Nisman, Manuel Romero, disse à Agência Efe que a previsão é que o relatório esteja pronto a partir da próxima quarta-feira.

Nisman, responsável pela investigação do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) de Buenos Aires em 1994 - que deixou 85 mortos e segue impune -, acreditava que um acordo assinado entre Argentina e Irã em 2013 teria sido usado para encobrir os suspeitos do ataque, entre eles o ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani, em troca de promover o comércio bilateral.

A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner afirma ser inocente e que as acusações de Nisman são absurdas.

Além disso, em uma entrevista concedida ontem, Cristina considerou como um "imenso disparate" que alguém possa pensar que seu governo teve alguma relação com a morte do promotor.

Até agora, apenas um colaborador de Nisman, Diego Lagomarsino, foi acusado no caso. Ele emprestou a arma usada para matar o promotor. Lagomarsino afirma que emprestou o revólver a Nisman a pedido do próprio, que queria proteger as filhas.

Além disso, os seguranças que deveriam proteger o promotor foram acusados de não cumprir seus deveres de funcionário público.

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