Oposição venezuelana diz que não dialogará com governo até receber garantias

Caracas, 16 set (EFE).- O deputado venezuelano e negociador da oposição para um eventual diálogo com o governo da Venezuela, Luis Florido, afirmou neste sábado que não iniciou um diálogo e que não haverá um até ter as garantias para isso, e esclareceu que as conversas entre as partes na República Dominicana são um processo inicial.

"São encontros iniciais, não é um processo nem de diálogo, nem de negociação, nós aprendemos a lição com o governo. Até que não estejam estipuladas as condições, as garantias e a agenda clara, nós não vamos avançar para o processo de negociação", disse Florido em entrevista coletiva.

Representantes do governo da Venezuela e da oposição se reuniram nesta semana em Santo Domingo para debater um eventual novo processo de diálogo e cujas reuniões continuarão no próximo dia 27.

Segundo Florido, a oposição apresentou sua "agenda" na República Dominicana e não vai "responder às aspirações de outros, senão às do povo venezuelano".

A agenda opositora inclui, de acordo com ele, eleições presidenciais transparentes e democráticas com um novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE, Poder Eleitoral), com fiadores e observação internacional, além de garantias democráticas para os que forem eleitos.

A proposta também inclui a liberdade de "presos políticos" e exilados, a restituição de funções da Assembleia Nacional (AN, Parlamento), e o atendimento à "emergência humanitária em que os venezuelanos vivem".

O representante do governo venezuelano neste processo, Jorge Rodríguez, afirmou ontem que entre os pontos debatidos nas negociações está o reconhecimento à Assembleia Nacional Constituinte (ANC), formada exclusivamente por pessoas ligadas ao governo de Nicolás Maduro.

Florido apontou que a ANC é "fraudulenta" e que "não é reconhecida por nenhum país do mundo", o que a tornaria justamente o primeiro ponto sem consenso no processo.

O opositor enfatizou que a oposição espera que a agenda se concretize e que, enquanto não houver garantias para estas condições, o processo será mantido em fase de debates iniciais.

"Está convocado um encontro para o dia 27? Sim. É o início da negociação? Depende das garantias", declarou.

O diálogo será acompanhado por seis países, sendo três escolhidos por cada uma das partes. Florido disse que a oposição escolheu México, Chile e - ainda à espera de confirmação - Paraguai. Já o governo convidou Nicarágua e Bolívia, e não definiu o terceiro "país amigo".

Ontem, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, garantiu que os dois lados estão próximos de fechar um acordo de convivência.

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