Museu forense em Bangcoc usa horror como método científico

Alberto Masegosa.

Bangcoc, 17 set (EFE).- A capital da Tailândia, Bangcoc, acolhe um museu forense único em seu gênero, que recorre ao horror como método científico, educacional, social e político.

O local exibe fetos deformados, cadáveres de recém-nascidos, estupradores e criminosos, além de órgãos e membros dilacerados por assassinatos, doenças, acidentes e suicídios, que em todos os casos ilustram a fragilidade da vida.

O museu, fundado em meados do século passado pelo professor de medicina Sonkran Niyomsen, faz parte do complexo hospitalar de Sijirat, situado na parte mais antiga da cidade, o bairro de Thonburi.

A intenção original era servir como complemento para a formação de estudantes de anatomia forense, mas o museu acabou ganhando popularidade suficiente para diversificar sua audiência.

Algumas mães confessam que se sentem consoladas com a possibilidade de poder visitar de vez em quando seus filhos mortos, conservados em formol.

Na base da urna de vidro que contém o corpo de um menino de dois anos estão brinquedos trazidos por visitantes comovidos pelo destino da criança, que morreu afogada.

Aos estudantes locais que percorrem os corredores em visitas guiadas se somam turistas e curiosos estrangeiros, atraídos pelo poderoso efeito "magnético" do museu e de seu ambiente "macabro".

A legista Somboon Thamtakengkit, consultora da instituição, explicou à Agência Efe que, além do lado acadêmico, o objetivo do fundador do museu era "ensinar que a vida é delicada e é preciso tratá-la com cuidado".

Esse é o propósito de mostrar pulmões de fumantes escurecidos pelo tabaco, fígados devastados pelo consumo de álcool, e mãos, braços, pés, pernas e cabeças decepadas em acidentes de trem e automóvel.

Também estão expostos o crânio da vítima de um crime, perfurado pelo tiro de seu assassino, e o estômago de um suicida, queimado pelo ácido ingerido para se matar.

O "aviso aos navegantes" tem uma profundidade diferente no caso dos corpos de criminosos e estupradores, que são exibidos com outra intenção.

"Acredito que a inclusão dessas pessoas teve a finalidade de alertar que quem se comporta mal não vai para o paraíso e está condenado a permanecer neste mundo", diz Somboon, ao se referir aos cadáveres que não foram cremados, como manda o budismo.

O melhor exemplo é o corpo de quem provavelmente se transformou no item mais famoso do museu.

Si Quey era um imigrante chinês que em 1958 foi detido e confessou à polícia que tinha assassinado seis crianças para comer seus corações e fígados, com a esperança de conseguir a imortalidade.

O homem foi executado no dia seguinte - sem passar por um julgamento -, e o professor Sonkran pediu seu cadáver para fazer a autópsia e tentar encontrar alguma anomalia física que explicasse seu comportamento assassino.

Somboon diz que o exame do professor Sonkran não revelou anormalidade alguma, o que não impediu que o corpo fosse conservado com a injeção de parafina, para depois ser submetido a um processo de desidratação de membros, órgãos e tecidos.

O resultado foi incorporado ao acervo do museu, onde o cadáver de Si Quey aparece nu e suspenso, com as cavidades oculares vazias e a boca aberta, mostrando os dentes superiores.

A execução irregular do suposto assassino propagou na comunidade chinesa a versão que afirma que Si Quey não era culpado, e que os crimes foram atribuídos a ele com a intenção de desprestigiar esse segmento influente e impopular da população - o que nunca foi confirmado por fontes credenciadas.

O certo é que o imigrante chinês aparece na memória coletiva no papel de "bicho-papão" das histórias infantis, que os adultos improvisam para obrigar os filhos a obedecer.

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