Temer viaja para Nova York para jantar com Trump e Assembleia-Geral da ONU

Brasília, 18 set (EFE).- O presidente Michel Temer viajou nesta segunda-feira para Nova York, onde jantará nesta noite com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outros presidentes de países da região, e onde amanhã abrirá os discursos da Assembleia-Geral da ONU.

O primeiro compromisso de Temer, que viaja com o peso de uma denúncia de corrupção apresentada contra ele pela Procuradoria-Geral da República, será o jantar promovido por Trump para analisar a situação latino-americana e especialmente a crise da Venezuela.

Segundo o Planalto, participarão do jantar os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e do Peru, Pedro Pablo Kuczynski. A Casa Branca afirmou que também estão entre os convidados o presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, e a vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti.

Amanhã, Temer fará o primeiro discurso da Assembleia-Geral da ONU, uma posição tradicionalmente reservada ao presidente do Brasil.

Fontes oficiais anteciparam que Temer aproveitará a ocasião para destacar a recuperação mostrada pela economia brasileira, que nos últimos meses saiu, pelo menos do ponto de vista técnica, da profunda recessão enfrentada desde 2015.

Em uma mensagem política rechada com um forte conteúdo econômico, Temer afirmará que essa recuperação só foi possível graças às reformas liberais aprovadas apesar da oposição de sindicatos e de grande parte dos partidos de esquerda do país.

Após discursar na Assembleia-Geral da ONU, Temer terá reuniões com líderes ou chefes de delegações dos membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e um encontro privado com o secretário-geral da ONU, o português Antonio Guterres.

Na quarta-feira, o presidente participa de um ato na ONU sobre o Tratado de Proibição de Armas Nucleares. Depois, já à margem da Assembleia-Geral, irá a um seminário no qual serão apresentados oportunidades de negócios existentes hoje no Brasil.

Está prevista a presença de grandes investidores americanos no evento, que terá discursos do próprio Temer e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que farão uma detalhada exposição sobre a situação da economia brasileira.

Eles também apresentarão um ambicioso plano de privatizações que o governo anunciou no mês passado. Serão repassados à iniciativa privada a administração de 14 aeroportos, 11 lotes de linha de transmissão elétrica e 15 terminais portuários.

Além disso, estará na pauta a privatização da Eletrobras.

As previsões do governo indicam que o pacote de privatizações gerará investimentos de R$ 44 bilhões, que ajudarão a reduzir o crônico déficit fiscal.

Após o seminário, Temer volta ao Brasil. No mesmo dia, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá se encaminhará para a Câmara dos Deputados a denúncia de obstrução de justiça e associação ilícita apresentada contra o presidente na semana passada.

Antes de viajar a Nova York, Temer participou da posse da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, agora responsável pelas investigações que afetam o presidente e muitos ministros do governo.

Se o STF enviar a segunda denúncia contra Temer para a Câmara, o caso só avança se pelo menos dois terços dos 513 deputados aprovarem a sequência das investigações contra o presidente.

Em agosto, a base aliada de Temer bloqueou a primeira denúncia de corrupção contra o presidente.

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