Supremo do Quênia exige de políticos e cidadãos fim de ataques a juízes

Nairóbi, 19 set (EFE).- O presidente do Supremo Tribunal do Quênia, David Maraga, exigiu nesta terça-feira que cidadãos e líderes políticos detenham os atos de intimidação e "ataques" contra juízes e pediu respeito à independência da instituição que lidera.

Maraga fez este pedido em um comparecimento público pouco após um protesto espontâneo contra o Supremo pela anulação das eleições presidenciais de 8 de agosto, uma resolução que será informada integralmente amanhã.

"Estamos preparados para pagar o preço final de proteger a Constituição e o Estado de direito", afirmou o presidente do máximo órgão judicial, que assegurou que as recentes manifestações de seguidores do presidente do país, Uhuru Kenyatta, cuja vitória nas urnas foi invalidada, foram violentas.

Maraga denunciou também ameaças por parte de dirigentes políticos, entre elas as do próprio Kenyatta, que chamou de "criminosos" os juízes do Supremo e antecipou que resolveria o "problema" quando retornasse oficialmente ao cargo.

A respeito, condenou esses "atos de agressão" e advertiu que, se algum juiz ou sua família forem atacados, "os incitadores serão considerados responsáveis".

Maraga defendeu a independência do poder judiciário como instituição e de cada juiz em particular e apontou que não permitirá que ninguém diga como devem cumprir com suas obrigações.

Hoje centenas de seguidores da Jubileu - coalizão do presidente Kenyatta -, se manifestaram espontaneamente perante a sede do Supremo com lemas como "O Supremo Tribunal nos roubou a vitória", "Justiça = sociedade maligna" e "Uhuru, presidente até 2022".

O magistrado apontou que em outra marcha ontem em Kirinyaga, a líder política Martha Karua foi retida pelos manifestantes.

O presidente do Supremo reconheceu o direito dos cidadãos a se manifestarem, mas exigiu que os protestos não sejam violentos e não sirvam para intimidar os juízes.

O Quênia repetirá as eleições presidenciais, depois que o Supremo Tribunal anulou as realizadas em 8 de agosto ao detectar irregularidades no processo.

Ainda que a repetição das eleições esteja prevista para 17 de outubro, a não disponibilidade dos sistemas eletrônicos de identificação e de transmissão de voto da firma francesa OT-MORPHO poderia atrasá-la até 26 do mesmo mês.

A decisão do Supremo respondeu à denúncia apresentada pela principal coalizão opositora, a Super Aliança Nacional, que assegurou que as votações tinham sido manipuladas mediante um ataque informático aos servidores da Comissão Eleitoral.

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