Jornalista tem dedo arrancando a mordidas por fazer denúncias na Bolívia

La Paz, 20 set (EFE).- Um jornalista boliviano perdeu um dedo após um ataque a mordidas de pessoas envolvidas em um caso investigado pelo profissional sobre supostas irregularidades em uma fornecedora de serviços de água potável no sul do país, denunciou nesta quarta-feira a Associação Nacional de Imprensa da Bolívia (ANP).

O incidente ocorreu no município de Villa Montes, na região sulina de Tarija, quando o jornalista Adolfo Yavarí Pérez encontrava-se no seu domicílio, segundo um comunicado da ANP, que agrupa a maioria dos jornais do país.

Os agressores, identificados como Isaac Nogales e Licia Arispe, entraram na casa e atacaram Yavarí "em represália pelas investigações jornalísticas realizadas sobre supostas irregularidades" na Entidade Prestadora de Serviços de Água Potável e Rede de Esgoto Sanitário (EPSA Manchaco).

Segundo o comunicado, "Yavarí se recupera dos ferimentos causados por seus agressores, que lhe arrancaram um dedo da mão esquerda a dentadas", enquanto Nogales e Arispe estão detidos e foram denunciados por "tentativa de homicídio".

O jornalista é apresentador do programa "En Contacto", que é transmitido diariamente de forma simultânea por um canal de televisão e uma emissora de rádio de Villa Montes.

Yavarí indicou que Nogales, que trabalha na EPSA Manchaco, já o tinha repreendido antes devido à cobertura que realizou sobre denúncias de provisão de água contaminada.

A ANP exigiu no comunicado "o fim da impunidade que rodeia os casos de ataques a jornalistas e meios de informação".

O diretor executivo da associação, Franz Chávez, denunciou que os casos de agressão a repórteres e cinegrafistas e a destruição de estúdios de televisão e escritórios de rádios registrados desde 2008 não foram investigados e, portanto, ficaram sem punição.

Chávez sustentou que, pelo contrário, o Ministério Público agiu "de maneira acelerada" para o encarceramento preventivo de três jornalistas, dois em 2015 e um recentemente, que foram detidos enquanto realizavam seu trabalho, "mas nenhuma autoridade judicial foi processada pelo atropelo".

A Confederação Sindical de Trabalhadores da Imprensa da Bolívia também fez um pronunciamento no qual rejeita a agressão, exige uma investigação para sancionar os culpados e pede garantias para o exercício do trabalho jornalístico na Bolívia, segundo a ANP.

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