Equatoriano deu a Odebrecht US$ 4 milhões por faturas superfaturadas

Quito, 21 set (EFE).- Um dos investigados no caso de propinas da construtora Odebrecht no Equador confessou, na quarta-feira, que entregou à empresa cerca de US$ 4 milhões obtidos através faturas superfaturadas, informou a Promotoria do Estado.

Kepler V., um acionista da empresa Equitransa, contratada pela Odebrecht no Equador, explicou que a companhia brasileira mantinha um sistema denominado de "planejamento fiscal", que consistia em "superfaturar" serviços e cujo excesso de valor devia ser entregue aos representantes da construtora.

Desta maneira, as empresas cobravam ao Estado valores superiores aos reais por serviços que terceirizados pela Odebrecht e entregavam os excedentes à construtora brasileira.

Além disso, ele assegurou que as transferências foram feitas e que o dinheiro foi entregue por um valor próximo aos US$ 4 milhões.

Essa declaração faz parte da audiência de testemunhos antecipados que realizaram muitos dos réus pelo suposto crime de associação ilícita que leva adiante a Promotoria no contexto do caso Odebrecht, que abrange outros supostos crimes como suborno, concussão, lavagem de dinheiro, crime organizado e evasão fiscal.

O acusado, identificado como Gustavo M., confessou na audiência que sua voz é a que aparece em uma perícia realizada sobre um dispositivo eletrônico (pendrive) entregue pelo Brasil à Promotoria do Equador.

O também investigado José Rubén T. aceitou receber instruções da Odebrecht para abrir contas e realizar transferências a funcionários, com o objetivo de tornar viável, a favor da empresa brasileira, o contrato para a construção de um gasoduto (encanamento para o transporte de derivados de petróleo) entre as regiões de Pascoais e Cuenca.

No dia de audiências sobre o caso, Alfredo A., uma testemunha protegido, afirmou ter recebido provisões de Ricardo Rivera, tio do vice-presidente equatoriano, Jorge Glas, também envolvido na investigação fiscal.

Em dezembro do ano passado, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou que a Odebrecht tinha pago cerca de US$ 788 milhões em propinas em 12 países da América Latina e África.

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