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Internacional

Boa situação econômica da Alemanha leva a benevolência na campanha eleitoral

22/09/2017 21h25

Juan Palop.

Berlim, 22 set (EFE).- A economia não será o tema decisivo das eleições legislativas na Alemanha graças aos bons dados de dívida, crescimento e emprego, após uma campanha que passou pisando em ovos pelos desafios que a maior potência europeia enfrenta a médio e longo prazos.

Embora os problemas da indústria automobilística, a revolução digital, o aumento da dualidade no mercado trabalhista e as repercussões do forte envelhecimento da sociedade apareçam em debates e programas, a realidade macroeconômica favorece em certa medida a complacência.

"Há poucos alemães que digam que estão mal economicamente", afirmou o cientista político Oskar Niedermayer, do Instituto Otto Suhr, que acrescentou que "a justiça social não será um fator decisivo" nestas eleições.

A Alemanha crescerá este ano aproximadamente 1,8%, engatando seu sétimo aumento anual consecutivo, e fechará as contas do Governo Federal com balanço positivo pelo quarto exercício.

O mercado de trabalho também mostra uma situação sólida, especialmente no contexto europeu, com números históricos de população empregada, acima dos 44 milhões de pessoas, e uma taxa de desemprego baixíssima, que em agosto foi de 5,7%.

Existe, no entanto, também um lado obscuro, pois na última década o número de trabalhadores em risco de pobreza e que possuem mais de um emprego subiu de forma significativa.

Apesar dessa crescente precariedade, o número médio dos salários e pensões subiu em um contexto de inflação contida e taxas de juros a zero, o que incentiva o consumo interno e leva a economia a recuperar o fôlego frente às exportações, que por sua vez também foram recorde.

Uma recente pesquisa apontou que 88% dos trabalhadores estão satisfeitos ou muito satisfeitos com seus empregos, e o tradicional estudo anual sobre os "medos" dos alemães colocou a economia - o medo de a crise da dívida na União Europeia prejudicar os contribuintes - em quarto lugar, após o terrorismo, o extremismo e as tensões geradas pela chegada de imigrantes.

A conjuntura política também favorece a relegação dos assuntos econômicos, pois as duas principais forças - a União Democrata-Cristã (CDU) e o Partido Social Democrata (SPD) - fazem parte da grande coalizão que governou a Alemanha nos últimos quatro anos.

Os social-democratas abraçaram a justiça social como um dos seus temas próprios de campanha, mas pertencer ao Executivo - e ser responsável pelos Ministérios de Economia, Emprego e Assuntos Sociais, e Família - os obriga a medir suas críticas.

Os partidos minoritários com chances de conseguir cadeiras no Bundestag (câmara baixa), principalmente A Esquerda, Os Verdes e o ultradireitista Alternativa pela Alemanha (AfD), são os que estão denunciando de forma veemente as crescentes desigualdades sociais, o emprego precário e o risco de pobreza entre menores e idosos, mas com uma menor repercussão.

Os analistas, por sua vez, advertem que o atual bom momento da economia alemã pode terminar a médio prazo, pois há elementos no país cuja combinação pode pesar sobre seu rendimento.

A força de trabalho começará a diminuir de forma significativa durante o próximo governo devido ao aumento das pessoas com idade para se aposentar, e a integração dos refugiados no mercado de trabalho está se mostrando lenta e complexa.

A indústria automobilística, que emprega mais de 800 mil pessoas e lidera as exportações, está em uma encruzilhada pelo escândalo das emissões e as acusações de práticas contrárias à livre concorrência e pela crescente pressão de novos atores no setor, como Tesla e Google.

Além disso, a falta de investimentos fez com que o país ficasse para trás no campo das novas tecnologias em relação a outras economias avançadas, o que levou a chanceler, Angela Merkel, a dizer em janeiro que, se não tomar medidas, o país pode se tornar uma economia "em vias de desenvolvimento" no setor.

Segundo um ranking de digitalização do centro de estudos alemães Acatech, a Alemanha ocupa a 17ª colocação entre 35 países industrializados.

Respondendo às perguntas dos cidadãos em diversos programas de televisão durante campanha, Merkel e seu principal oponente, o social democrata Martin Schulz, comprovaram que assuntos como um novo aumento da idade de aposentadoria e a falta de recursos para a dependência preocupam a muitos de seus eleitores.

No entanto, ambos os candidatos negam que vão estender a vida trabalhista e prometem mais investimentos para atender os que não podem trabalhar.

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