"Mãe" dos alemães, Merkel supera crises e avança rumo a reeleição

Gemma Casadevall.

Berlim, 22 set (EFE).- Há 12 anos no cargo de chanceler da Alemanha, Angela Merkel avança rumo à reeleição no pleito legislativo do próximo domingo tendo encarado até aqui duas grandes crises de alcance internacional - a do euro e a dos refugiados - sem perder a áurea de líder atípica.

De "moça do Leste", como foi apelidada por seu ex-padrinho politico, o ex-chanceler Helmut Kohl, ela passou a ser vista por seus compatriotas como uma espécie de "Mutti" ("mãezinha") que impõe disciplina, mas também protege, ou até uma "Omi" ("avó") no caso dos eleitores jovens.

Todas as pesquisas de intenção de voto apontam que sua coligação vencerá as eleições, e com isso ela se igualará justamente a Kohl como chanceler há mais tempo no cargo, com 16 anos - o ex-governante ficou no poder entre 1982 e 1998.

A líder da União Democrata-Cristã (CDU) optou por anunciar sua nova candidatura, apesar de seu último mandato ter sido marcado por períodos difíceis, como após ter aberto as fronteiras aos refugiados.

A chegada de Donald Trump à Casa Branca a valorizou como fator de estabilidade em um mundo de líderes imprevisíveis, como o russo Vladimir Putin ou o turco Recep Tayyip Erdogan.

Aos 63 anos, à frente da CDU desde 2000 e na Chancelaria desde 2005, Merkel tem experiência em superar rivais internos e exercer domínio entre seus correligionários, mas desta vez teve que enfrentar o auge do voto de protesto.

Merkel viveu uma campanha eleitoral dura, foi perseguida por vaias em comícios no leste do país - região onde ela cresceu, mas que não a reconhece como "própria" e que mais abraçou a coalizão ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD).

A chanceler já derrotou três rivais social-democratas - o chanceler Gerhard Schröder, em 2005; o ex-ministro de Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier, em 2009; e o ex-ministro das Finanças, Peer Steinbrück, em 2013 - e tudo aponta que derrotará seu atual adversário, Martin Schulz sem grandes problemas.

Seu forte entre o eleitorado consiste em ter combinado o perfil de líder implacável e racional com o de uma mulher que, sem filhos próprios, adotou seus compatriotas.

O sangue frio e a capacidade para não cair na agressividade verbal ou na arrogância marcaram a carreira dessa mulher que se impôs sobre todos que cometeram o erro de subestimá-la, fosse o social-democrata Schröder ou inimigos internos na CDU.

A data-chave em sua ascensão foi 22 de dezembro de 1999, quando, sendo secretária-geral da coligação, convocou correligionários para se "emanciparem" do patriarca Kohl, responsável por um escândalo de corrupção envolvendo doações ilegais que veio à tona com a passagem do partido para a oposição.

Merkel assumiu as rédeas da CDU após o ex-protegido de Kohl, Wolfgang Schäuble, envolvido no caso, renunciar à liderança.

Nada até então fazia prever que ela se transformaria na líder global que é hoje. Angela Dorothea Kassner, nome com o qual veio ao mundo em 1954, em Hamburgo, cresceu na comunista Alemanha Oriental em uma cidade onde seu pai, esquerdista convicto, era pastor luterano.

Merkel estudou entre Leipzig e Berlim e se casou aos 23 anos com um companheiro de estudos, Ulrich Merkel, de quem conserva o sobrenome, embora a união tenha durado apenas cinco anos.

Posteriormente ela conheceu Joachim Sauer, então casado e com dois filhos, que se tornou conselheiro de sua tese de doutorado em Física e com o qual, após alguns anos de convivência, se casou em 1998.

Merkel não esteve entre a multidão de alemães orientais que, em 9 de novembro de 1989, festejaram às lágrimas e com cerveja a queda do muro de Berlim, mas soube da notícia ao sair da sua sauna semanal, e preferiu ir para casa.

Ela foi secretária de propaganda da juventude comunista na Academia de Ciências de Berlim, mas mesmo antes da queda do muro tinha feito contatos com grupos de oposição ao regime.

Em fevereiro de 1990, Merkel entrou na CDU, e Kohl a tornou, em 1991, ministra da Mulher e da Juventude, com a necessidade de lançar mão de jovens talentos da extinta Alemanha Oriental.

Merkel escalou posições, chegou à secretária-geral e depois à presidência da CDU, mas viu em 2002 o partido designar o bávaro Edmund Stoiber como candidato à Chancelaria.

Stoiber fracassou, e três anos depois Merkel escreveu uma dupla página da história, ao se tornar a primeira mulher e primeira politico crescida no lado comunista do muro a chegar à Chancelaria alemã.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos