Perícia entregue ao MP argentino aponta que Alberto Nisman foi assassinado

Buenos Aires, 22 set (EFE).- A polícia da Argentina entregou um relatório pericial para o Ministério Público do país que aponta que a morte do promotor Alberto Nisman ocorreu por assassinato, e não suicídio, confirmaram fontes judiciárias à Agência Efe nesta sexta-feira.

Nisman foi encontrado morto em janeiro de 2015, poucos dias depois de acusar a então presidente argentina, Cristina Kirchner, de acobertar terroristas.

A perícia, elaborada por uma ampla comissão interdisciplinar, disse que Nisman recebeu um tiro na cabeça no banheiro de seu apartamento no bairro de Puerto Madero, em Buenos Aires e que foi morto por duas pessoas após ser agredido e drogado.

Em janeiro deste ano, o promotor Eduardo Taiano, que já estuda a perícia, ordenou à Polícia Nacional para disponibilizar uma comissão de especialistas para chegar a uma "única conclusão, clara e precisa, com certeza científica" sobre se a morte, que ainda é investigada, foi causada por homicídio ou suicídio.

"Estamos analisando tudo. Analisamos fatos e diferentes perícias", acrescentaram as fontes, segundo as quais o relatório pericial é mais um documento para ser acrescentado às informações compiladas no processo.

Taiano deverá avaliar as conclusões e com base nas mesmas solicitar ao juiz mais provas sobre o caso, que atualmente se investiga como "morte duvidosa".

Para realizar o relatório, os especialistas, entre os que se encontram peritos contratados pelas partes que intervêm na causa, fizeram ademais uma recriações do palco do falecimento do fiscal: o banho do apartamento em que vivia.

Até agora, detalhes do documento só foram revelados através da imprensa argentina, que disseram que a comissão policial avaliou situações como a falta de pólvora nas mãos de Nisman e a cetamina encontrada no corpo do promotor.

Responsável pela investigação do atentado à associação judaica Amia em Buenos Aires, ocorrido em 1994 e que deixou 85 mortos e ainda não rendeu punições, Nisman acreditava que um acordo assinado entre a Argentina e o Irã em 2013, que o governo alegava que serviria para avançar nos esclarecimentos sobre o ataque, buscava na verdade encobrir os suspeitos - entre eles o ex-presidente iraniano Ali Akbar Hashemi Rafsanjani - em troca de promover as relações comerciais bilaterais.

Cristina Kirchner, no entanto, sempre negou essa versão.

Até o momento, apenas o técnico de informática Diego Lagomarsino foi acusado no processo, no caso, por emprestar a arma que causou a morte - em sua defesa, ele alega que o próprio promotor a pediu para proteger suas filhas.

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