Mélenchon desafia Macron em protesto contra reforma trabalhista em Paris

Paris, 23 set (EFE).- O líder da esquerda radical da França, Jean-Luc Mélenchon, ameaçou neste sábado o presidente dos Estados Unidos, Emmanuel Macron, em uma manifestação com dezenas de milhares de pessoas em Paris, a primeira de uma série de protestos prometidos pelo líder do partido França Insubmissa contra a reforma trabalhista implementada pelo governo ontem.

"A batalha não terminou. Está começando", disse Mélenchon em um discurso ao término do protesto que, segundo ele, reuniu 150 mil pessoas (a polícia rebaixou o número para 30 mil manifestantes) contra o que chamou de "golpe de Estado social".

Mélenchon denunciou o "método da brutalidade" utilizada para colocar a reforma trabalhista em vigor. Macron decidiu publicar um decreto, publicado hoje no Diário Oficial, para que as novas regras já passem a valer enquanto espera a discussão no Congresso, algo que só deve ocorrer a partir do dia 20 de novembro.

O líder da extrema-esquerda disse que preparará uma "ação forte" quando começar a tramitação parlamentar da reforma trabalhista, com participação dos sindicatos, e sugeriu a ideia de uma nova manifestação na Champs-Élysées com 1 milhão de pessoas.

O líder do França Insubmissa convocou os manifestantes a participar de um panelaço no próximo sábado e que também se envolvam em novos protestos que já foram anunciados, como a greve de caminhoneiros convocada para segunda-feira com o objetivo de bloquear a distribuição de combustíveis no país.

O protesto tinha um caráter mais político do que os outros dois já realizados, convocados pelos sindicatos. Mélenchon busca se tornar o principal líder da oposição e fazer frente a Macron.

A manifestação sindical da última quinta-feira contra a reforma trabalhista, lideradas pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), com a qual Mélenchon mantém uma forma de rivalidade, deram sinais de enfraquecimento em relação às realizadas no último dia 12.

Mélechon se irritou com Macron por polêmicas declarações feitas pelo presidente. Há alguns dias, Macron chamou de "vagos" aqueles que criticavam as reformas e ouviu como resposta que "nunca antes ninguém tinha tratado o povo francês dessa forma".

Em tom grandiloquente, Mélechon alertou que o que há por trás das reformas do presidente é a "batalha da França".

"Os liberais querem atacar a saúde, a moradia, a educação e o direito à aposentadoria. Temos que colocar toda a força do nosso povo na batalha e nas ruas", defendeu.

O protesto de hoje, organizado em forma de marcha, percorreu um trajeto que começou na Praça da Bastilha e terminou na Praça da República. A polícia não registrou incidentes no ato.

As críticas não se limitaram aos cinco decretos de lei que flexibilizam o mercado trabalhista - e que estão dentro das promessas eleitorais de Macron - em detrimento da atual legislação.

Uma das medidas mais polêmicas é a fixação de um valor mínimo e, sobretudo, um máximo nas indenizações por demissão sem justa causa.

"O capitalismo da nossa época é o primeiro inimigo da democracia", disse Mélenchon.

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