Tillerson e chanceler de Cuba abordam suposto ataque a diplomatas americanos

Washington, 26 set (EFE).- O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, e o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, se reuniram nesta terça-feira em Washington para falar sobre o suposto "ataque acústico" sofrido há meses por vários diplomatas dos Estados Unidos em Cuba.

Segundo um comunicado da parte cubana, a reunião aconteceu a pedido de Havana e "em um clima respeitoso".

Rodríguez "reiterou" a Tillerson que "o governo cubano nunca efetuou nem efetuará ataques de nenhuma natureza contra diplomatas. Tampouco permitiu nem permitirá que seu território seja utilizado por terceiros para este propósito".

O chefe da diplomacia cubana também assegurou a Tillerson "que a investigação para esclarecer este assunto segue em curso e que Cuba tem grande interesse em conclui-la".

Washington sustenta que pelo menos 21 americanos destinados em Havana sofreram "incidentes de saúde", ainda que também tenha salientado que não tem "respostas definitivas sobre a fonte ou causa" dos mesmos.

Segundo meios de comunicação americanos, que citam relatórios médicos dos afetados, alguns destes diplomatas sofreram lesões cerebrais traumáticas leves e perda de audição por causa dos incidentes.

Em seu comunicado, Cuba também apontou que, de acordo com os resultados preliminares da investigação, "até o momento não há evidências das causas e da origem das afecções de saúde reportadas pelos diplomatas americanos".

O Departamento de Estado americano, por sua parte, disse em um comunicado que a conversa entre Tillerson e Rodríguez foi "firme e franca" e que "refletiu a profunda preocupação dos Estados Unidos pela segurança de seu pessoal diplomático".

Tillerson "expressou a gravidade da situação e insistiu às autoridades cubanas sobre sua obrigação de proteger o pessoal da embaixada e suas famílias".

Segundo o comunicado do Ministério de Relações Exteriores de Cuba, Rodríguez "reiterou a seriedade, celeridade e profissionalismo com que as autoridades cubanas assumiram este assunto" por indicação "do mais alto nível do governo cubano".

Além disso, Rodríguez pediu a Tillerson que os Estados Unidos "cooperem de forma efetiva com as autoridades cubanas para o esclarecimento de fatos dos quais não existem precedentes em Cuba".

O chanceler cubano também afirmou ao seu homólogo americano que Havana considera "injustificada a decisão do governo dos EUA de retirar dois diplomatas cubanos de Washington e o argumento empregado para isso".

Além disso, advertiu que "seria lamentável que se politizasse um assunto desta natureza e que tomem decisões apressadas e sem sustento em evidências e resultados investigativos conclusivos".

Finalmente, Rodríguez enfatizou que "Cuba cumpre rigorosamente suas obrigações (...) sobre a proteção da integridade dos diplomatas, na qual tem um histórico impecável".

As novas tensões entre Washington e Havana se emolduram em um período de esfriamento das relações bilaterais por causa da nova política fixada pelo presidente Donald Trump, que impôs certas restrições à abertura para a ilha, respaldou o embargo e se negou a negociar com o governo cubano a não ser que veja avanços democráticos em Cuba.

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