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Analistas discutem papéis da sociedade civil na relação com o ciberterrorismo

28/09/2017 16h30

Fernando Prieto Arellano

Sófia, 28 set (EFE).- A sociedade civil pode ter um papel ambivalente na relação com o ciberterrorismo, tanto contribuindo para seu isolamento ou destruição como para reforçar sua prática, de acordo com os debates do segundo e último dia da XIII Conferência sobre Ciberterrorismo realizada em Sófia, na Bulgária.

"Em uma época turbulenta como a que vivemos, na qual muita gente pode sentir que perdeu as suas referências", é necessário ter muito claro o papel essencial da sociedade civil na luta antiterrorista e, sobretudo, no freio à propaganda terrorista, disse o analista russo Yuri Goligorski.

"A sociedade civil somos todos nós. Por exemplo, todos nós que nos reunimos em uma conferência como esta: gente de diversas procedências, de diferentes estamentos, de diversos trabalhos, com ideias distintas e critérios heterogêneos", afirmou.

Com base no que foi discutido no encontro, a sociedade civil não é um elemento circunscrito a uma dimensão estatal, ela transcende as fronteiras, e os meios eletrônicos desempenham um papel fundamental com o objeto de evitar que as ideias terroristas circulem livremente pelo que alguns especialistas chamam de "mercado das ideias".

O terrorismo é uma "doença social" diante da qual os jornalistas, na condição de atores que divulgam ideias e eventualmente criam opinião, têm de estar muito atentos, ainda que caiam no dilema sobre "o que dizer e não dizer, o que mostrar e não mostrar", disse a jornalista russa Galina Sidorova.

Os analistas insistiram na transversalidade dos meios eletrônicos, tanto no plano social como no supraestatal. Segundo o debate, esses veículos não são consumidos apenas em um país ou por um certo ator social, mas envolvem todos os estamentos e ultrapassam as fronteiras. Neste sentido, a propaganda terrorista mantém um planejamento transversal e entre fronteiras.

Por isso, se o objetivo for ganhar a batalha contra os que divulgam estas mensagens, não se pode recorrer apenas a elementos militares ou de segurança: o combate deve envolver as pessoas, a sociedade civil, ressaltou Hussein Gharibi, do Ministério de Relações Exteriores do Irã.

"O ciberterrorismo não tem fronteiras e se desenvolve rapidamente. Por isso, o Estado Islâmico e outros grupos o utilizam com tanta profusão e habilidade", afirmou Su Lei, diretor do Departamento de Assuntos de Segurança Exterior do Ministério de Relações Exteriores da China.

Alguns especialistas descreveram como exemplo do uso da guerra da propaganda o caso da Síria e sua escalada terrorista, exemplificada com a presença física do EI nesse país.

Neste sentido, o jornalista italiano Gian Micalessin declarou que "é muito difícil explicar o que está acontecendo na Síria, onde há a impressão que o EI está sendo derrotado sobre o terreno", sem que de todos modos se disponha de elementos de referência o suficientemente confiáveis para assegurar tal premissa.

Na opinião de Micalessin, o EI entendeu muito bem a importância da propaganda na rede e aplicou de maneira muito aguda sua capacidade de penetração em certos âmbitos da sociedade civil.

O jornalista também se referiu à dimensão "assimétrica" do EI, cujo objetivo é captar nem tanto pessoas que habitam no seu âmbito natural de atuação (Síria e Iraque), mas sobretudo jovens, filhos de imigrantes, que residem em cidades como Paris e Londres e vivem em sociedades nas quais se sentem marginalizados.

"Esta gente é muito fácil de ser captada pela propaganda do EI, e não esqueçamos um dado: não estão só no Oriente Médio, mas também em nossas próprias cidades", enfatizou Micalessin, que acrescentou que "atualmente, ter uma imagem, uma impressão verídica do que acontece na Síria, é algo muito complicado para os jornalistas." EFE

fpa/vnm