Sindicatos policiais justificam uso da força, mas não violência, na Catalunha

Alacante (Espanha), 2 out (EFE). - Os sindicatos da Polícia espanhola justificaram nesta segunda-feira o uso da "força, mas não a violência", por parte dos agentes durante o referendo de independência realizado ontem na Catalunha e no qual mais de 800 pessoas ficaram feridas.

A Polícia espanhola tem cinco sindicatos e o porta-voz de um deles, o SUP, deu hoje a sua versão do caso, sobre o qual o governo de Mariano Rajoy (PP, centro-direita) foi criticado. Ramón Cossío afirmou que na manhã de domingo houve somente três cargas policiais para que os agentes pudessem abrir espaço entre as pessoas concentradas, porque estavam "rodeados".

Ele disse que alguns colégios que tinham a ordem da Justiça de ter o material eleitoral retirado estavam ocupados por quase 3 mil pessoas, e que "para acessar às urnas era preciso retirar as pessoas e isso provocou contusões".

Cossío disse que os agentes agiram "com total proporcionalidade" e também que o trabalho dos agentes acabou sendo "muito amarga e muito desagradável", principalmente devido à "oposição das instituições catalãs, como os Mossos d'Esquadra", a Polícia dependente do governo regional.

"Se as instituições catalãs não tivessem feito o apelo irresponsável para as pessoas irem às ruas com crianças e pessoas mais velhas não teríamos visto nem 10% do que vimos", defendeu.

Os cinco sindicatos acertaram se apresentar pessoalmente contra os responsáveis dos Mossos d'Esquadra, "e neste caso contra o seu principal comando operativo, Josep Lluis Trapero".

Para os sindicatos da Polícia Nacional, o dispositivo de segurança de ontem na Catalunha estava sustentado pela Polícia, pela Guarda Civil e pelos Mossos e "um deles não estava", em alusão aos agentes catalães. Os Mossos tinham a missão, encomendada pela Justiça, de fechar os colégios eleitorais no início do dia, o que não ocorreu na maior parte dos casos, segundo Cossío.

O Ministério Público estuda os fatos ocorridos durante a operação policial para impedir a votação do referendo, considerado ilegal pela Justiça espanhola, após várias denúncias sobre a atuação dos Mossos.

Hoje, duas das três associações de promotores acusaram os responsáveis do governo e do Parlamento, além dos Mossos, de colocar em risco o Estado de Direito ao descumprir as leis e as resoluções judiciais ontem.

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