Em meio a "zona de guerra", cooperação da população salvou vidas em Las Vegas

Las Vegas (EUA), 3 out (EFE).- Entre as mais de 22 mil pessoas presentes ao festival de música country em Las Vegas contra as quais o atirador Stephen Paddock abriu fogo estavam vários bombeiros do condado de Los Angeles, que mesmo fora de serviço não hesitaram ao salvar vidas em um ambiente similar ao de "uma zona de guerra".

"Calculamos que há pelo menos 40 bombeiros do condado hospitalizados. Isso sem contar casais, amigos e parentes", disse Rick Godinez, capitão do Corpo de Bombeiros de Los Angeles, que compareceu ao local do incidente imediatamente.

De acordo com Godinez, "muitos funcionários foram ao festival (no último domingo), alguns aposentados, mas os bombeiros nunca estão realmente fora de serviço".

"Fizeram atos heróicos e salvaram muitas vidas. Estamos acostumados a incidentes dramáticos, mas ninguém te prepara para algo assim. O que me relataram era uma zona de guerra, esquivando de balas e do caos para, em milésimos de segundo, tomar decisões de vida ou morte. Mais que preocupados com as próprias vidas, agiram para defender os entes queridos, ao mesmo tempo que arrastavam a feridos e levavam pessoas para áreas seguras", explicou o capitão.

Stephen Paddock, um homem branco de 64 anos, se posicionou em um quarto no 32º andar do hotel Mandalay Bay de Las Vegas e utilizou diversas armas para atirar contra a multidão que se reunia no festival, onde 59 pessoas morreram e masi de 500 ficaram feridas. O atirador se suicidou pouco depois.

Entre as pessoas que conseguiram salvar vidas está Justin Burton, que cobriu a esposa enquanto os disparos eram ouvidos e que sobreviveu apesar de ter sido atingido por dois tiros nas costas.

"Nos estávamos passando e, de repente, começamos a escutar algo como fogos de artifício. Parecia algo normal, mas rapidamente nos demos conta que não eram e nos abaixamos como prevenção. Instantes depois, as pessoas ficaram apavoradas, e nós também", relatou Burton após receber a alta médica.

Para os funcionários do hospital Sunrise, que recebeu dezenas de feridos na ocasião, aquelas foram as horas mais difíceis das suas vidas.

"Atendi cerca de 60 pessoas e estive presente em umas 25 cirurgias. Muitos chegaram ao hospital sem compreender o que tinha acontecido. Estavam em choque. Nunca tinha visto algo assim. Pelo menos, encontramos alívio na fenomenal resposta da população de Las Vegas. Não sei se foi inesperado porque sei que é uma comunidade forte. Mas necessitávamos esse apoio", explicou Stephanie Davidson, anestesista do centro médico.

Além das doações de sangue e da constante chegada de comida e bebida para os hospitais, um fundo de ajuda criado para as vítimas arrecadou mais de US$ 4 milhões. "Tudo isto nos dá força para continuar adiante", ressaltou a anestesista.

Kelly Kogut, cirurgiã pediátrica do hospital, não podia imaginar "o pesadelo" que a esperava na noite do último domingo.

"Todos fomos ao hospital por emergência, sem saber que ocorria. Sinceramente, pensava que chegaria ali, esperaria um momento, me diriam que não precisariam de mim e voltaria para casa, como em tantas outras ocasiões", relatou Kogut.

"Todo mundo deixou seus afazeres e decidiu ajudar, fazer o necessário. É um fator muito positivo dentro desta horrível situação", sustentou.

Em Las Vegas há muita expectativa a respeito das palavras que serão ditas na quinta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quem ontem disse que "em algum momento" poderia mostrar-se aberto a uma discussão sobre o controle das armas no país. "Mas não hoje", ressaltou.

"Acredito que é o momento de as leis mudarem. Mas, sinceramente, acredito que isso não vai acontecer. Os políticos que temos vão impedir", opinou Kogut.

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