Governo espanhol rechaça falar com presidente catalão e o acusa de chantagem

Madri, 4 out (EFE).- O presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy, rechaçou nesta quarta-feira a possibilidade de dialogar com o presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, a quem acusa de chantagear de forma "brutal" o Estado com uma declaração unilateral de independência.

Três dias após o referendo separatista, diversas iniciativas que buscam uma mediação para propiciar a abertura de negociações entre os governos espanhol e catalão foram abertas.

Fontes próximas dessas iniciativas confirmaram à Agência Efe que o governo catalão iniciou contatos com o Arcebispado de Barcelona e com o abade de Montserrat com o fim de sondar a possibilidade de que exerçam um papel de mediação na questão.

O líder do partido de esquerda Podemos, Pablo Iglesias, tentou fazer com que as partes determinem seus interlocutores para um possível diálogo.

No entanto, o presidente do governo, Mariano Rajoy, manifestou a Iglesias que não pode negociar com quem delineou uma "chantagem tão brutal ao Estado", em alusão a Puigdemont e aos partidos separatistas catalães.

Embora Iglesias tenha dito que Rajoy não lhe respondeu de forma negativa, fontes do governo espanhol ressaltaram que o chefe do governo explicou que o que Puigdemont tem que fazer é renunciar à declaração unilateral de independência, que ele classificou como "não negociável".

Poucas horas depois, em uma declaração institucional na sede do governo catalão, Puigdemont considerou uma "grave irresponsabilidade" que o governo de Rajoy refute as "diversas propostas" de mediação que surgiram nas últimas horas e destacou que o "momento pede mediação".

Imediatamente depois, a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, acusou o presidente catalão de viver "fora da lei" e ressaltou que, nesse âmbito, "não há democracia", nem convivência.

Enquanto isso, o Parlamento da Catalunha já se prepara para debater, na próxima segunda-feira, a declaração unilateral de independência e debater os efeitos do referendo realizado no último domingo.

Segundo a lei catalã do referendo, "dentro de dois dias seguintes à proclamação dos resultados por parte do Órgão Eleitoral, (o Parlamento) realizará uma sessão ordinária para efetuar a declaração formal da independência da Catalunha".

No entanto, tanto esta lei regional como a convocação do próprio referendo, assinada pelo governo catalão, foram declaradas ilegais e suspensas pelo Tribunal Constitucional da Espanha (TC).

Participaram do referendo 2,2 milhões de pessoas de um total de 5,3 milhões eleitores (42%), e 90% dos votos foram a favor da independência, segundo dados do governo regional catalão.

Mas a Junta Eleitoral Central (JEC) da Espanha negou hoje qualquer valor aos resultados da votação e comunicou a decisão aos governo espanhol, catalão, à União Europeia e às Nações Unidas.

A possibilidade de uma declaração de independência unilateral e suas consequências aumentou a preocupação das empresas estabelecidas na Catalunha, algumas das quais tiveram grandes perdas nos últimos dois pregões da Bolsa de Valores de Madri.

No plano judicial, a Audiência Nacional espanhola convocou hoje o chefe da polícia regional da Catalunha (Mossos D'Esquadra), Josep Lluis Trapero, para prestar depoimento por suspeita de perturbação da ordem pública. O caso se refere às manifestações dos dias 20 e 21 de setembro, quando a Guarda Civil fazia uma operação na Secretaria de Economia para evitar o referendo. Na ocasião, viaturas que estavam na frente da sede da Secretaria foram depredados, e os guardas só conseguiram deixar o prédio durante a madrugada.

Além disso, a União de Guardas Civis espanhola denunciou Trapero à Promotoria por considerar que ele organizou "uma operação fraudulenta e ineficaz" no dia do referendo, "alterando a ordem social".

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