Presidente catalão vê como "possível" ir para a prisão

Berlim, 4 out (EFE).- O presidente do Governo da Catalunha, Carles Puigdemont, disse em uma entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal alemão "Bild" que vê como "possível" sua prisão, que a seu julgamento seria um "passo selvagem", mas afirma que está disposto a continuar até "onde as pessoas quiserem".

"Não tenho medo por mim mesmo. Não me assustaria nada o que o Governo espanhol fizer. Meu encarceramento também é possível, o que seria um passo selvagem. O Governo espanhol comete um erro depois do outro e se afasta cada vez mais da realidade", assegurou o presidente catalão.

Puigdemont, que desde julho está sendo investigado pela Justiça pela organização do referendo do dia 1 de outubro, tacha a Espanha de "estado autoritário" por ter usado a "violência contra pessoas pacíficas que só queriam votar na consulta", declarada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional (TC) do país.

"O Governo espanhol encarcera adversários políticos, influi na imprensa, bloqueia páginas web... Ouça o helicóptero que sobrevoa agora a sede do governo? Nos vigiam dia e noite. O que é isso se não um estado autoritário?", argumentou.

Além disso, Puigdemont criticou que o Governo espanhol tenha bloqueado "todas as propostas da Catalunha" nos últimos anos e não queira "nenhuma negociação", "nem sequer conversas sobre a divisão dos impostos".

Além disso, reitera que a Catalunha não recorrerá à violência e acusa o Governo espanhol de ter mandado 10.000 policiais nacionais "com uma missão clara de avançar contra cidadãos pacíficos".

Puigdemont afirmou, além disso, que se sente "decepcionado" porque, na sua opinião, a UE não se posicionou de forma contundente contra o Governo espanhol após a atuação policial do domingo passado e a violação de "direitos fundamentais de cidadãos europeus".

O presidente disse na entrevista que a Catalunha vai se declarar independente nas 48 horas seguintes ao fim da recontagem definitiva dos votos, que terminará no final de semana, e assegura que já se sente "presidente de um país livre em que milhões de pessoas tomaram uma decisão importante".

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