ONU inclui coalizão saudita em "lista negra" por matar crianças no Iêmen

Nações Unidas, 5 out (EFE).- A ONU incluiu nesta quinta-feira a coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen em uma "lista negra" elaborada anualmente para apontar partes de conflitos acusadas de matar e ferir crianças.

No ano passado, a ONU decidiu de última hora não incluir a Arábia Saudita nessa relação após forte pressão diplomática de Riad, reconheceu o então secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

Desta vez, a coalizão liderada pelos sauditas estará na lista ao lado de outras partes do conflito no Iêmen. Também fazem parte da relação grupos armados e terroristas que atuam em guerras em diferentes países.

Como novidade, a lista está nesta ocasião dividida em duas partes, uma com quem não tomou medidas para tentar melhorar a proteção dos menores e outra com quem o fez. A coalizão saudita aparece entre estes últimos, pois as Nações Unidas destacaram que receberam informações sobre mudanças nas regras de enfrentamento e sobre a criação de uma equipe encarregada de revisar todos os incidentes com vítimas civis e identificar correções.

Além disso, a ONU apontou que a Arábia Saudita criou uma unidade de proteção de menores no quartel geral da coalizão.

Segundo o secretário geral da ONU, António Guterres, as mudanças introduzidas neste ano no formato do relatório refletem uma maior cooperação das Nações Unidas com as partes envolvidas que deveria levar a uma melhor proteção das crianças nas guerras.

"O objetivo deste relatório não é só conscientizar sobre as violações dos direitos das crianças, mas também promover medidas que possam diminuir o trágico sofrimento delas em conflitos", disse o porta-voz Stéphane Dujarric.

A "lista negra", no entanto, ameaça criar um novo episódio de tensão entre a organização e o país árabe, cujo embaixador já anunciou uma entrevista coletiva para esta sexta-feira.

Segundo a ONU, pelo menos 1.340 menores morreram ou sofreram mutilações na guerra no Iêmen durante 2016.

O relatório das Nações Unidas denuncia também os ataques contra crianças em muitos outros conflitos, desde o Afeganistão à República Democrática do Congo, passando por Iraque, Somália e Síria.

Segundo o texto, em 2016 foram verificadas em um total de 20 países mais de 4 mil violações cometidas por forças governamentais e mais de 11,5 mil por parte de grupos armados não estatais.

Essas cifras incluem, além de ataques, recrutamento de menores, abusos sexuais ou sequestros.

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