Rajoy exige que Puigdemont desista da independência e evite "males maiores"

Madri, 5 out (EFE).- O chefe do governo da Espanha, Mariano Rajoy, exigiu nesta quinta-feira ao presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, que renuncie à declaração unilateral de independência para evitar "males maiores" e declarou que "sabe perfeitamente o que vai fazer" diante de qualquer cenário e o fará no momento oportuno.

Rajoy fez esta exigência a Puigdemont em uma entrevista ao presidente da Agência Efe, José Antonio Vera, na qual se mostrou "absolutamente" convencido de que a Espanha pode voltar à normalidade e na qual pediu aos cidadãos que confiem no governo.

No dia 1º de outubro a Catalunha realizou uma consulta independentista apesar de ter sido suspensa pelo Tribunal Constitucional e à qual as autoridades regionais insistem em dar validade, com a hipótese de formular uma declaração unilateral de independência em breve.

Para Mariano Rajoy, a melhor solução para a situação na Catalunha é a volta à legalidade de todos os que estão fora dela.

"Isso passa por suprimir o projeto de fazer uma declaração unilateral de independência e por cumprir, como fazem todos os cidadãos, os preceitos legais. Isso é o que pode evitar que se produzam doenças maiores no futuro e isso é o que está pedindo toda a sociedade", ressaltou Rajoy.

O presidente do governo da Espanha garantiu que não vai permitir "de nenhuma maneira" a independência da Catalunha, mas não revelou as medidas previstas em caso de uma declaração unilateral e sobre as quais apontou que "há opiniões para todos os gostos".

"O governo sabe perfeitamente o que vai fazer em qualquer dos cenários, como vai fazer e quando vai fazer, porque é a nossa obrigação. O governo sabe como lidar com esta situação", declarou Rajoy antes de pedir tranquilidade e confiança em sua gestão.

Rajoy lembrou ainda a recente crise econômica na Espanha para reiterar que muitos lhe cobravam para pedir o resgate financeiro do país a instituições internacionais.

"Naquele momento fiz o que achava que deveria fazer, e agora, porque é a minha obrigação e porque, para isso, sou o presidente do governo da Espanha. Farei o que acredito que devo fazer, o que acredito que seja melhor para a Espanha e no momento que me parecer mais oportuno", destacou.

"Escutarei todos, mas a decisão cabe a mim. Sei que não é fácil, mas também me coube na época tomar outra decisão que tampouco era", disse.

Rajoy insistiu que uma melhor solução do que recorrer a aplicar o artigo 155 da Constituição - que permite ao governo central agir quando dirigentes regionais atuarem de modo contrário a essa norma - é o governo catalão voltar à legalidade e não fazer uma declaração unilateral de independência.

Diante das vozes que advertem que pode ser tarde aplicar esse artigo se for declarada a independência, ele afirmou: "Tarde não vamos a chegar a nenhuma parte, porque não vai acontecer a independência da Catalunha".

"Espero que no governo acertemos. Acredito que vamos, e espero ter o apoio do partido do senhor Rivera (o liberal Ciudadanos), do PSOE (de esquerda), de outras forças políticas e do conjunto da sociedade espanhola", acrescentou.

Em relação aos pedidos para que alguém possa intermediar para consertar a situação, Rajoy apontou que "a unidade da Espanha não é alvo de nenhuma mediação, nem de nenhuma negociação" e que não se trata de um problema de mediação, mas de cumprir a lei.

"A partir daí já viveríamos em uma situação de normalidade. Poderíamos falar, poderíamos dialogar, poderíamos fazer acordo, no Parlamento ou fora do Parlamento", afirmou o presidente.

Rajoy acredita que isso geraria uma situação diferente, mas ao ser perguntado se estaria disposto então a dialogar com Puigdemont, ele frisou que o primeiro diálogo que deveria envolver o presidente catalão é com os deputados do Parlamento regional e com os catalães "aos quais dividiu".

O chefe do governo espanhol defendeu a "magnífica" intervenção do rei Felipe VI no discurso que fez na terça-feira sobre o tema, ressaltou que fez "o que se espera de um chefe do Estado" e disse "coisas muito sensatas" com as quais a maioria dos espanhóis se sentiu reconfortada.

Rajoy classificou como "exemplar" a atuação das forças de segurança nacionais no dia do referendo e acredita que agiram "com rigor e profissionalismo" frente aos assédios "e provocações" que tiveram que sofrer.

Dizendo-se orgulhoso de todos os integrantes das forças, Rajoy lembrou que deu ordem para que nenhum deles deixasse os lugares onde estão hospedados na Catalunha, porque é "vergonhoso e intolerável" que isso ocorra pela pressão existente.

Rajoy também lamentou o dano à imagem dos Mossos d'Esquadra (polícia regional catalã) provocado por quem, segundo ele "iniciou toda esta operação e os que depois pretenderam utilizá-los".

O governante explicou que é a autoridade judicial que terá que dirimir se a atuação dos Mossos foi ou não a correta.

Em relação a uma possível reforma da Constituição, Rajoy disse não ser "partidário de trocar figurinhas, de dizer vamos a nomear um mediador e, em troca de que eu tome uma decisão, você toma outra".

"A unidade da Espanha e o cumprimento da lei não podem ser negociados", afirmou.

Rajoy disse que jamais se negou a falar sobre a reforma constitucional e, definitivamente, de tudo o que permita a lei.

O governante reconheceu que uma situação de instabilidade como a provocada pela Catalunha é muito ruim para a economia e enfatizou que já estão sendo vistas algumas consequências. Por isso, segundo ele, quanto mais tempo levar para essa situação acabar, pior será para todos.

Rajoy chamou a atenção sobre o fato de que Puigdemont, no discurso que fez ontem à noite, advertiu que o que ocorre com a Catalunha pode acontecer também em outros países.

"É como dizer ao mundo que vamos jogar fora tudo pela janela, vamos dividir a Europa e vamos ver o que faremos no futuro", alertou o chefe do governo, que destacou o apoio que recebeu de todos os líderes europeus com os quais falou e, entre eles, a primeira-ministra britânica, Theresa May; a chanceler alemã, Angela Merkel; e o presidente francês, Emmanuel Macron.

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