Arábia Saudita recusa números da ONU sobre crianças mortas no Iêmen

Nações Unidas, 6 out (EFE).- A Arábia Saudita recusou nesta sexta-feira os cálculos da ONU sobre o número de crianças mortas e feridas por ataques da coalizão que o país lidera no Iêmen, mas agradeceu à organização por reconhecer os esforços para limitar os danos causados.

Essa foi a resposta do governo saudita à decisão das Nações Unidas de incluir a coalizão em uma "lista negra" por violações dos direitos dos menores, responsabilizando as forças sauditas de matarem ou ferirem pelo menos 683 crianças em 2016.

"Rejeitamos a informação e os cálculos inexatos e enganosos incluídos no relatório", disse aos jornalistas o embaixador saudita para a ONU, Abdallah al Muallimi.

Segundo o diplomata, no caso do Iêmen, os números atribuídos pela ONU a ataques da coalizão superam os reais, enquanto o contrário ocorre com os do outro esquadrão, os rebeldes houthis e seus aliados, os quais o relatório responsabiliza por 414 mortos e feridos.

Muallimi insistiu que "não há nenhuma justificativa" para que a coalizão esteja incluída na lista, pois está respeitando as suas obrigações internacionais e fazendo esforços para proteger os menores e outros civis.

Apesar das críticas, o embaixador saudita manteve um tom amistoso em relação às Nações Unidas e elogiou as mudanças introduzidas neste ano na elaboração do relatório sobre menores e conflitos armados.

Nesta ocasião, a ONU separou em sua "lista negra" as partes dos conflitos que tomaram medidas para melhorar a proteção das crianças - entre as quais incluiu a coalizão árabe - e aquelas que não o fizeram.

A decisão chega após o duro choque entre a Arábia Saudita e a organização, gerado pela edição anterior deste documento. A ONU tinha introduzido a coalizão em sua "lista negra", mas acabou voltando atrás em meio à forte pressão de Riad.

O então secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, admitiu abertamente que teve de ceder para não causar problemas maiores, depois que a Arábia Saudita, segundo várias fontes, ameaçou cortar fundos para diversos programas.

Muallimi destacou nesta sexta-feira que, naquela ocasião, a ONU apenas entrou em contato com as partes envolvidas durante a elaboração do relatório, enquanto que neste ano houve uma cooperação de fato.

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