Governo do Camboja pede dissolução do principal partido de oposição

Bangcoc, 6 out (EFE).- O governo do Camboja solicitou nesta sexta-feira ao Tribunal Superior a anulação do Partido de Resgate Nacional do Camboja (CNRP), o principal da oposição, como parte da campanha oficial contra os oponentes diante das eleições de 2018.

A organização Human Rights Watch (HRW) acusou o governo de "estar matando a democracia" e afirmou que, nesse ritmo, o Executivo vai deslegitimar a eleição geral marcada para 29 de julho de 2018.

Na capital do país, Phnom Penh, o porta-voz do Ministério do Interior, Khieu Sopheak, confirmou o pedido e disse que tal solicitação acontece após uma investigação.

"Temos pelo menos 21 provas contra o CNRP", afirmou o porta-voz, conforme o jornal "Phnom Penh Post".

O diretor para a Ásia da HRW, Phil Robertson, disse em comunicado que a dissolução do partido opositor é inevitável, porque "os juízes farão exatamente o que o primeiro-ministro Hun Sen ordenar".

"Com esta medida, Hun Sen e o governante PPC (Partido do Povo do Camboja) estão matando a democracia no Camboja para fazer das eleições de julho de 2018 uma brincadeira de mau gosto", defendeu.

Este ano, o Legislativo, dominado pelo PPC, modificou a lei de partidos para poder desabilitar políticos condenados pela Justiça e cancelar formações envolvidas em crimes como o da traição. A mudança determinou, por exemplo, que Sam Rainsy, uma das principais vozes de crítica ao primeiro-ministro, renunciasse como presidente do CNRP em 11 de fevereiro de 2017.

Em 3 de setembro, o presidente do CNRP, Kem Sokha, foi detido e acusado de traição, delito punido com pelo menos 15 anos de prisão. Desde então, pelo menos a metade dos dirigentes da formação opositora saiu do Camboja.

Esta semana, a vice-presidente do CNRP, Mu Sochua, deixou o país após dizer que recebeu informações de que ela seria presa na semana que vem.

Sourn Serey Ratha, líder do Partido do Poder Khmer, foi condenado a cinco anos de prisão no final de agosto por criticar o primeiro-ministro.

Dias antes, as autoridades revogaram a permissão de trabalho da ONG americana National Democratic Institute (NDI) e deram uma semana para que todos os funcionários estrangeiro saíssem do país.

O governo também encerrou as atividades de 20 emissoras independentes de rádio e obrigou o fechamento, alegando impostos não pagos, do "Cambodia Daily", um dos poucos diários independentes do país.

Hun Sen, que passou este ano por vários problemas de saúde e que chegou a planejar o seu afastamento, anunciou no mês passado que continuará durante outros dez anos.

"Antes eu estava reticente, mas depois ver os dolorosos atos de traição, decidi continuar e governar para proteger o que construímos", disse o governante, de 65 anos, que viu a oposição quase arrebatar o governo nas eleições de 2013.

O Camboja, com a ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU), organizou as primeiras eleições democráticas em 1993, após mais de duas décadas de guerra civil, incluindo o regime do Khmer Vermelho (1975-79), no qual 1,7 milhão de pessoas morreram. Hun Sen ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 1985.

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