ICAN afirma que Nobel envia sinal de que armas nucleares são inaceitáveis

(Atualiza com mais declarações de representantes da ICAN).

Genebra, 6 out (EFE).- A Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN, sigla em inglês), que nesta sexta-feira recebeu o prêmio Nobel da Paz, disse que este reconhecimento respalda sua luta por "um mundo sem armas nucleares" e envia um sinal muito claro aos Estados que possuem esse armamento e ameaçam utilizá-lo.

"É inaceitável que ainda existam países que tenham e que ameacem utilizar as armas nucleares. O prêmio, além de uma grande honra, é uma mensagem muito forte aos Estados, que devem se unir para abolir as armas nucleares", afirmou Beatriz Fihn, diretora executiva do ICAN, em declarações à imprensa.

"Estamos em um momento crucial, o risco de guerra nuclear está outra vez na agenda, com a possibilidade de assassinar civis de forma discriminada, com ameaças por parte dos Estados Unidos e da Coreia do Norte. Isto deve acabar, e o prêmio reforça essa posição", acrescentou Fihn.

A ativista é uma das três pessoas que trabalham em um pequeno escritório em Genebra, a sede central da ICAN, que reúne mais de 400 entidades e ONGs em 101 países do mundo.

A ICAN começou há uma década, precisamente depois que a campanha para proibir as minas antipessoais recebeu o Nobel da Paz, "o que deu o impulso para acreditar e lutar para também proibir para sempre as armas nucleares", indicou Fihn.

"É inaceitável que as armas nucleares continuem existindo, que continuem sendo usadas para ameaçar", frisou a ativista.

Após ser questionada sobre o presidente americano Donald Trump e suas ameaças, Fihn se limitou a lembrar que "ninguém se sente mais seguro ao ouvir a menção nuclear. Com as armas nucleares não há mais segurança, não há um mundo mais seguro, pelo contrário".

"É por isso que acredito que o prêmio Nobel condena esse comportamento e é um sinal muito claro para que os países se afastem dessas posturas e se juntem ao tratado para a proibição total", opinou Fihn.

Além disso, a ativista admitiu que ela, assim como muitos, está preocupada com o fato de uma pessoa tão impulsiva como Trump ter o poder de apertar o botão nuclear.

"No entanto, é preciso entender que não é necessário estar somente preocupado com Trump, mas com as armas nucleares em geral. Não há ninguém no mundo em que se possa confiar para ter em suas mãos a capacidade de destruir o mundo", insistiu a ativista.

Fihn explicou que é por essa razão que "uma maioria do mundo decidiu se juntar ao tratado para a proibição total".

O Tratado Global para Proibir as Armas Nucleares foi aberto para assinaturas no dia 20 de setembro e entrará em vigor 90 dias depois que 50 países - dos 122 que o votaram - o ratifiquem.

Com exceção da Holanda, os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidiram não participar das negociações.

Também estão ausentes das conversas China e Rússia - que junto de EUA, França e Reino Unido são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e têm arsenais atômicos - nem outros países nucleares como Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte.

"O prêmio dá um impulso ao tratado, e espero que faça os países refletirem e que se juntem ao Tratado de Proibição", pediu Fihn.

A ICAN esteve bastante envolvida nas negociações para poder concluir o tratado.

Os países que rejeitam o tratado consideram que é preciso promover o Tratado de Não Proliferação Nuclear, sob o qual estão comprometidos a reduzir seus arsenais.

"O status quo já não é aceitável. Reduzir os arsenais não é suficiente, é preciso ir além. O tratado diz agora que usar armas está proibido. Sei que as potências nucleares não vão aboli-las de um dia para o outro, mas espero que cada vez que as armas forem mencionadas, que elas se sintam mais constrangidas a fazê-lo", insistiu Fihn.

Por fim, a ativista teve palavras para as vítimas "das bombas nucleares e também dos testes nucleares, e para os que lutaram nos últimos 50 anos para acabar com este flagelo".

"O prêmio é um tributo aos sobreviventes e aos que lutaram para acabar com as armas nucleares desde 1945", concluiu Fihn.

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