Irã afirma que EUA violaram "corpo e espírito" do pacto nuclear

Teerã, 6 out (EFE).- O importante aiatolá iraniano Ahmad Khatami, líder da Oração de Sexta-feira de Teerã, afirmou hoje que os Estados Unidos violaram "o corpo e o espírito" do acordo nuclear, assinado em julho de 2015 entre o Irã e seis grandes potências.

Durante seu sermão na capital iraniana, Khatami ressaltou que Washington destruiu o pacto, em resposta às declarações do presidente americano, Donald Trump, de que Teerã não está cumprindo o "espírito" do acordo.

Trump disse ontem que está a ponto de anunciar sua decisão sobre se deve ser certificado ou não o conhecido formalmente como Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA), e insistiu que é preciso dar um "fim à agressão contínua do Irã e às suas ambições nucleares".

O aiatolá, membro de destaque da Assembleia de Especialistas, também apontou que os dirigentes iranianos disseram de forma unânime que o JCPOA "não é renegociável".

Além disso, Khatami advertiu que não se pode confiar às cegas no apoio da Europa. "Tudo bem nossos responsáveis terem interações com eles (os europeus), mas tenham certeza de que se a Europa tiver que escolher entre o Irã e os EUA, escolherá os EUA", acrescentou.

O governo de Trump é o único que expressou sua oposição ao acordo nuclear, que conta com o apoio tanto da União Europeia quanto dos outros assinantes do pacto - Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha.

A respeito, o vice-presidente e chefe da Agência Iraniana de Energia Atômica (AIEA), Ali Akbar Salehi, aconselhou ontem a todas as partes a permanência no acordo para que haja alguma opção de incentivar a Coreia do Norte a negociar.

"Se os EUA se retirarem do acordo e os outros países os seguirem, a ação do Irã será clara e também se retirará do mesmo, fazendo com que o acordo se dissolva automaticamente", advertiu Salehi.

Não obstante, o responsável iraniano indicou que se só os EUA saírem, "a situação será diferente e tomar uma decisão dependerá do conselho de supervisão do JCPOA".

Trump tem que decidir antes de 15 de outubro se certifica ou não que o Irã está cumprindo com os termos do acordo, que impõe restrições às suas capacidades nucleares em troca da suspensão das sanções internacionais.

Sua decisão não representa a saída dos EUA do acordo, mas abre um precedente que poderia desencadear no reatamento das sanções contra Teerã devido a seu programa nuclear, o que provavelmente provocaria o fim do pacto.

Segundo o jornal "The Washington Post" e a emissora "CNN", Trump planeja "eliminar a certificação" governamental de que o pacto multilateral está "no interesse nacional dos EUA".

Diante dessa possibilidade, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse nesta sexta-feira que espera que a decisão final de Trump "seja prudente e parta da realidade, pois se trata de um programa extremamente necessário".

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