Sultão Bolkiah completa 50 anos como monarca absoluto de Brunei

Marco Zabaleta.

Bangcoc, 6 out (EFE).- O sultão Hassanal Bolkiah de Brunei, o homem mais rico do mundo até ser superado por Bill Gates, completou 50 anos no trono na quinta-feira como um rei absoluto que se apoia cada vez mais no Islã e na 'sharia' (lei islâmica).

O 29º sultão de uma dinastia com cerca de sete séculos de antiguidade governa um Estado de pouco mais de 400 mil habitantes e com um território de quase 5.800 quilômetros quadrados, menor que a Palestina, situado no norte da ilha de Bornéu, no sudeste da Ásia.

Além de soberano, chefe de Estado e guia espiritual, o governante de 71 anos desempenha o cargo de primeiro-ministro e dirige os Ministérios de Relações Exteriores, Justiça, Defesa, Finanças e Comércio.

O sultão, cuja fortuna é estimada em US$ 20 bilhões, maneja as contas estatais e os lucros extraídos pela exploração de petróleo e gás das reservas do país, que representam mais da metade do PIB, e que se esgotarão em menos de 20 anos.

Bolkiah, que durante a juventude esteve mais interessado em jogos de azar, mulheres, festas, polo e carros do que na política, credencia seu reinado com o "Melayu Islam Beraja" (monarquia islâmica malaia), a ideologia oficial.

A doutrina é basicamente, segundo o artigo "The Oppression of Brunei", uma tentativa de justificar por meio da fé o direito do monarca de reinar sem oposição; "o sultão se autoproclama essencialmente um papa da Idade Média".

O Código Penal foi reformulado em 2013 para conter a sharia e começou a ser aplicado em fases no ano seguinte.

Em 2015, a celebração do Natal em público foi proibida, assim como a iluminação e decorações natalinas, canções de Natal e outras tradições desta festividade, mas permitiu que a comemoração prosseguisse na intimidade dos lares.

Se a arte de governar de Bolkiah é questionável pela falta de democracia, apesar de os sistemas de saúde e educação serem de graça, o mesmo não acontece com a ostentação real.

"Há muita gente rica e famosa no mundo, mas nem todos dominam a arte de esbanjar (...) o sultão de Brunei é uma pessoa versada na arte de esbanjar riquezas da maneira mais pródiga", segundo o site "Richborn".

É famosa sua coleção real de pelo menos 5 mil veículos, entre eles um modelo de cada temporada do mundial de Fórmula 1 desde 1980 e peças exclusivas, entre outras, seis Ferrari F90 - as únicas fabricadas -, duas Ferrari Mhytos, um Aston Martin V8 Vantage Special Series II, um Mercedes-Benz CLK-GTR Supersport e o modelo original em vermelho do Bentley Continental R.

De acordo com o "Guinness", o livro dos recordes, Bolkiah possui a maior frota particular de Rolls-Royces do mundo, formada por 600 veículos da marca britânica.

A ostentação também está presente no palácio Nurul Iman, sua residência, inaugurado em 1984 para celebrar a independência do Reino Unido e que é considerado o maior do mundo, com 1.788 quartos e 257 banheiros, um salão de banquetes para 5 mil convidados, uma mesquita para 1.500 fiéis, cinco piscinas e um estábulo com ar condicionado, entre outros luxos.

A lista de famosos contratados pelo monarca também é invejável, entre os quais se destacam Diana Ross, Michael Jackson, Janet Jackson, Elton John, Tina Turner, Stevie Wonder, Madonna, Bon Jovi, Mariah Carey.

Além disso, há rumores de que Bolkiah teria oferecido a Whitney Houston um cheque em branco para uma apresentação da diva, e que ela preencheu o bilhete com um valor superior a US$ 7 milhões.

Mesmo com um estilo de vida marcado pela ostentação e os excessos, são poucos os escândalos que vazaram para a imprensa do sultão de Brunei.

Entre os mais famosos estão os casamentos e posteriores divórcios com a ex-aeromoça Haja Mariam (1982-2003) e a apresentadora de televisão Azrinaz Mazhar (2005-2010), e a batalha judicial com o príncipe Jefri, seu irmão mais novo e companheiro de aventuras.

Ou quando a Miss Estados Unidos de 1992, Shannon Marketic, o acusou em um tribunal americano de tê-la sequestrado e utilizado como escrava sexual durante um mês.

A Justiça dos EUA, no entanto, rejeitou o caso porque Bolkiah desfrutava de imunidade como chefe de Estado.

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