Bangladesh quer criar campo de refugiados com população igual à de Amsterdã

Azad Majumder.

Daca, 7 out (EFE).- O governo de Bangladesh quer reunir uma população parecida com a de Amsterdã - de 820 mil habitantes - em um único campo de refugiados, uma ideia que tem encontrado oposição de agências da Organização das Nações Unidas (ONU), que vê a possibilidade de facilitação da entrada e da disseminação de doenças no local.

O governo quer reunir todos os refugiados rohingyas que desde 25 de agosto estão chegando de Mianmar por conta da violência e os que já estavam no país, totalizando 800 mil pessoas, no campo de Kutupalong. A justificativa é tornar a ajuda mais efetiva e concentrar os serviços.

Nos últimos dias, o governo anunciou que aumentou em 400 hectares os 1.200 do acampamento de Kutupalong. Ao todo, a área terá 12 quilômetros quadrados.

O secretário do Ministério de Administração de Desastres, Shah Kamal, afirmou à Agência Efe que o plano foi adotado para garantir a melhor utilidade dos serviços prestados.

"A vantagem disto é que conseguiremos assegurar os serviços, especialmente o saneamento, o fornecimento de água e a segurança", disse.

O seu objetivo é dividir a área em 20 blocos com um canal no meio. O secretário afirmou que já existem 75 mil casas no novo campo e outras 75 mil serão erguidas para os rohingyas.

"De acordo com as nossas estimativas, cada família é composta de cinco, seis ou sete membros, alguns têm nove. Com esta média, podemos ficar com cerca de 800 mil pessoas", disse ele, enfatizando que o local contará com 36 centros de saúde.

Mas, além de todos estes motivos, Kamal reconheceu que existem outras razões para o governo querer que todos os rohingyas fiquem em um só campo no distrito de Cox's Bazar, aonde a maioria dos refugiados chegou.

"Uma coisa que temos que considerar é que Cox's Bazar é um centro turístico e se os rohingyas ficarem espalhados isso pode criar um problema", admitiu.

Para o coordenador da ONU em Bangladesh, Robert Watkins, é melhor ter vários campos para evitar a concentração e expor às pessoas ao alto risco de doenças.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também se mostrou contrário à ideia. Em comunicado, o organismo lembrou que nas últimas semanas foi visto que, com as chuvas, a água transborda nos campos atuais.

"Os campos não estão preparados para grandes densidades populacionais. Estes fatores aumentam o risco de epidemias e a transmissão de doenças", disse.

Apesar disso, o governo parece estar determinado.

O diretor do Organismo de Ajuda ao Refugiado e Repatriação, Abul Kalam, vinculado ao Ministério de Administração de Desastres, disse que o governo vai suspender a distribuição de ajuda em outras áreas uma vez que o grande campo de Kutupalong esteja pronto.

"Agora, entregamos ajuda em 23 pontos. A distribuição já foi cancelada em dois locais e tiramos as pessoas dali. Iremos fechando os outros pontos gradualmente", explicou.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) lembrou que ainda espera informações do plano do governo.

"Neste momento, não podemos especular sobre aspectos do plano", acrescentou Yante Ismail, porta-voz do Acnur.

Conforme os dados mais recentes desta agência da ONU, aproximadamente, 515 mil rohingyas chegaram a Bangladesh fugindo da onda de violência em Mianmar. O país já tinha 300 rohingyas oriundos de movimentos migratórios anteriores, a maioria deles não reconhecidos como refugiados pelo governo de Bangladesh.

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