Rajoy descarta negociar unidade da Espanha

Madri, 8 out (EFE).- O presidente do Governo da Espanha, Mariano Rajoy, se mostrou contrário à negociação para resolver o desafio independentista catalão pois, disse, "a unidade da Espanha não se negocia" e "sob chantagem não se pode construir nada".

"Enquanto não voltar à legalidade, claro que não vou negociar", afirmou Rajoy em entrevista publicada neste domingo (data local) pelo jornal "El País", na qual o presidente do Governo diz taxativamente que impedirá "que qualquer declaração de independência se plasme em algo" e que "a Espanha vai continuar sendo a Espanha e vai continuar durante muito tempo".

Rajoy assegurou que no Governo "a única coisa que existe", e o Governo catalão sabe disso, "é a ideia de que não se pode dialogar sobre a unidade da Espanha, nem intermediar nem ser objeto de mediação, nem negociar com a ameaça de romper a unidade do Estado".

Ao longo da entrevista, ele reiterou que a Espanha "não vai se dividir" e que o Governo usará "todos os instrumentos que a legislação dá" para conseguir isso.

"O Governo vai tomar as decisões que tiver que tomar no momento preciso", assegurou Rajoy, que continua de forma taxativa: "O que tem que tomar a decisão deve fazê-lo com prudência e estando consciente das consequências da decisão que tomar".

Rajoy condicionou essa tomada de decisões à cessação das "ameaças independentistas" que, diz, tornam "muito difícil" que o Governo adote qualquer medida para acabar com a crise catalã.

Entre as possíveis soluções ventiladas, Rajoy não descarta o artigo 155 da Constituição (que obriga às autonomias a cumprir as ordens do Governo) porque a lei o contempla. Para ele "o ideal" não é adotar medidas "drásticas", a não ser que na Catalunha aconteçam "retificações".

O presidente do Governo opinou que é "imprescindível" que o Governo conte com o "maior apoio possível" dos grupos políticos neste momento e que nisso concordam PP, PSOE e Ciudadanos, mas descarta um governo de concentração.

Rajoy defendeu a atuação policial no dia 1 de outubro e sobre a atitude dos Mossos d'Esquadra nesse dia, declarou que a Generalitat fez "um dano muito grande" ao seu prestígio e que os juízes serão os encarregados de decidir se a atuação da Polícia autonômica "foi correta ou não".

A respeito da mensagem do rei aos espanhóis, o presidente considera que não lhe pareceu que fosse dirigida ao Governo e que Felipe VI deu a sua "posição" sobre o acontecimento "mais importante há muitos anos na pátria".

Rajoy respondeu com um rotundo "não" ao ser perguntado se foi pensado antecipar as eleições gerais na Espanha e assegurou que lhe parece "um disparate essa possibilidade, porque seria ruim" para o país e uma mensagem "péssima para os parceiros europeus".

Sobre a Europa, o presidente do Governo considerou que a UE "tem que ganhar esta batalha" que representa o movimento independentista catalão, pois os valores europeus estão "em jogo", ainda que tenha se mostrado convencido de que os governos da união estão lado a lado na defesa da Constituição e no cumprimento da lei.

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