Ações da polícia em protestos após eleições no Quênia deixaram 37 mortos

Nairóbi, 9 out (EFE).- Um total de 37 pessoas, duas delas menores de idade, morreram após ações da polícia nos protestos ocorridos durante os dias posteriores às eleições de 8 de agosto em diferentes zonas do Quênia, informou nesta segunda-feira a Comissão Nacional para os Direitos Humanos (KNCHR).

As eleições presidenciais foram finalmente invalidados pelo Supremo Tribunal, que ordenou sua repetição por irregularidades na contagem, e a Comissão Eleitoral fixou a nova reunião eleitoral para 26 de outubro.

Segundo o relatório publicado hoje pela Comissão, entre as vítimas estão um bebê de seis meses que foi atropelado por agentes de segurança enquanto estava com sua mãe no condado de Kisumu, no sudoeste do país.

O relatório atribui estas mortes à polícia, que usou munição real e porretes contra os manifestantes, deixando também muitos feridos em estado grave.

A estas mortes se somam outras duas vítimas durante o período prévio à realização das eleições.

A KNCHR também denunciou que alguns oficiais do Estado utilizaram seus escritórios para subornar eleitores durante a campanha e que em muitos casos fizeram com bens básicos como pão e água.

Além disso, altos funcionários do Governo usaram dinheiro público para a campanha do partido, incluindo o uso de veículos oficiais, algo que não foi permitido à oposição.

Outro tema de destaque foi o uso que os líderes políticos fizeram do tribalismo como ferramenta para mobilizar votos, "contribuindo para o temor em algumas regiões do país e que obrigou alguns quenianos se mudarem a zonas mais seguras por temor de represálias.

Depois que o Supremo anulou as eleições e em plena campanha eleitoral para a repetição da votação, a Comissão de Direitos Humanos repreendeu também "os ataques" que os líderes políticos utilizam, que se "refletem ativamente na cidadania e nos meios sociais".

"A classe política deve agir com o exemplo e segundo o Código de Conduta Eleitoral que lhes obriga especificamente a condenar, evitar e tomar medidas para prevenir a violência e a intimidação", alerta a KNCHR.

A organização pediu às partes, tanto a políticos, como à Comissão Eleitoral, polícia e cidadãos que respeitem a lei e favoreçam um processo eleitoral justo, livre e credível.

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