Afeganistão e Paquistão retomarão em Omã processo de paz com os talibãs

Cabul, 9 out (EFE).- O Afeganistão e o Paquistão retomarão em Omã o processo de paz paralisado com os talibãs, no qual estes não participarão, no marco do denominado Grupo dos Quatro (G4), em que os outros dois membros da iniciativa, os Estados Unidos e a China, atuarão como supervisores, informou nesta segunda-feira à Agência Efe uma fonte oficial.

A decisão chega após a visita a Cabul no início de outubro do chefe do Exército paquistanês, Qamar Javed Bajwa, na qual acordou com o presidente afegão, Ashraf Gani, "melhorar a cooperação e construir confiança" após meses de tensões.

"Após os recentes eventos, a reunião do G4 acontecerá em Mascate, capital de Omã", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional Afegão, Qadhar Shah, que destacou a "importância" do "reatamento" do diálogo entre o Paquistão e o Afeganistão.

O encontro em Omã acontecerá dentro de uma semana e nele uma delegação de alto nível afegã tratará com o resto de membros do G4 os problemas entre o Afeganistão e o Paquistão e as conversações de paz com os talibãs, afirmou Shah.

"Primeiro, é importante fazer as pazes com o Paquistão, e só então poderemos chegar a um acordo de paz com os talibãs", reconheceu o porta-voz, que destacou que os insurgentes não participarão da reunião, enquanto EUA e China apenas supervisionarão o encontro.

Cabul e Islamabad se acusaram mutuamente de promover o terrorismo e permitir em seu território a presença de grupos insurgentes que atentam no solo do outro, o que provocou graves crises diplomáticas entre ambos e choques na fronteira entre estes países, conhecida como Linha Durand.

Nesse sentido, o Afeganistão solicitou ao Paquistão que repatrie ao seu país cinco líderes talibãs que estiveram encarcerados durante anos em celas paquistaneses, ao argumentar que estes poderiam ser fundamentais no processo de paz, revelou Shah.

Os talibãs e o governo afegão tiveram sua primeira e última reunião oficial em julho de 2015, mas o processo ficou suspenso poucos dias depois, após ser confirmada a morte dois anos antes do fundador do movimento insurgente, Mulá Mohammed Omar, e desde então a formação se negou a comparecer à mesa de negociações.

Nos últimos dois anos, o Afeganistão fez parte do G4, ainda que sem sucesso até o momento e, mais recentemente, participou de uma reunião a seis organizadas pela Rússia com o mesmo objetivo.

Nenhum destes esforços deu resultado até o momento e os talibãs continuam ganhando terreno no campo de batalha, uma situação que tem se agravado após o fim da missão de combate da Otan, em janeiro de 2015.

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