Holanda terá governo de centro-direita com apoio mínimo no Parlamento

Haia, 9 out (EFE).- O acordo de governo de centro-direita anunciado nesta segunda-feira pelo primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, quase sete meses após as eleições, terá o apoio de 76 deputados em um Parlamento de 150, o que colocará a toda prova sua habilidade para conciliar as ideias dos quatro partidos que formam sua coalizão.

As negociações foram as mais longas desde a Segunda Guerra Mundial, devido à fragmentação da câmara baixa e a todos os partidos importantes descartarem um acordo com o eurocético PVV, que foi o segundo mais votado nas eleições de 15 de março.

Rutte se apoiará na coalizão formada por seu grupo político - o liberal conservador VDD (33 cadeiras) -, os democratas-cristãos da CDA (19), o liberal progressista D66 (19) e os calvinistas da União Cristã (5).

A duração da negociação, que hoje completou 208 dias, contrasta com a da legislatura anterior, quando os social-democratas do PvdA precisaram de menos de dois meses para chegar a um acordo com o VVD.

Após as eleições de março, VVD, CDA e D66 tentaram chegar a um acordo com a Esquerda Verde, mas essas conversações fracassaram devido às diferenças com os ecologistas a respeito das políticas de imigração.

A única opção que restou então foi que os três partidos negociassem com a União Cristã, algo que o D66 tinha se recusado a fazer, mas seu líder, Alexander Pechtold, decidiu no final de junho "dar uma oportunidade justa" a essa opção.

Sua rejeição se devia às diferenças de ambas as formações em temas relacionados à ética médica e á possível extensão da lei de eutanásia.

No entanto, os líderes dos dois partidos se mostraram hoje contentes com o acordo: Pechtold se declarou "satisfeito", enquanto o líder de União Cristã, Gert-Khan Segers, afirmou que o trabalho dos seus negociadores é "reconhecível" no texto estipulado.

Rutte terá que comandar uma legislatura que previsivelmente será instável, dada a pequena margem de apoio ao governo no Parlamento.

Se um dos 76 deputados da coalizão decidir se separar, algo que já aconteceu na última legislatura ao social democrata PvdA, o governo poderá ter dificuldades para levar leis adiante ou, inclusive, cair.

Nesse caso, Rutte poderia buscar o apoio de partidos da oposição, como o PvdA, os ecologistas do Groenlinks ou os calvinistas radicais do SGP, que só contam com três deputados, mas têm se manifestado contrários às quedas de executivos.

Os negociadores, conscientes da fragilidade do acordo, redigiram um texto mais detalhado do que o habitual para evitar possíveis cisões.

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