Libéria elege sucessor para primeira presidente mulher da África

Nairóbi, 9 out (EFE).- Mais de dois milhões de eleitores votarão na terça-feira na Libéria para escolher o sucessor de Ellen Johnson-Sirleaf, Prêmio Nobel da Paz e primeira mulher a chegar à uma chefia de Estado na África, e em um momento no qual o país segue imerso na crise econômica e social provocada por uma epidemia de Ebola em 2014.

A presidente não pode concorrer a um novo mandato por limitação constitucional e nesta ocasião só há aspirantes homens, entre os quais destacam-se o vice-presidente do Governo, Joseph Boakai, e o líder da oposição, o ex-jogador do Milan e primeiro africano em conseguir uma Bola de Ouro, George Weah.

Sirleaf tentou desenvolver uma lei de equidade em 2010, mas fracassou e cada vez foram mais os homens designados para os altos cargos, o que dificultou o caminho de muitas mulheres na política.

A campanha eleitoral para as terceiras eleições democráticas na Libéria após sua devastadora guerra civil de 14 anos (1999-2003) registrou uma alta participação cidadã.

Tal é a expectativa perante esta nova convocação eleitoral que alguns analistas locais preveem uma vitória em primeira turno de um dos dois principais candidatos, algo que não ocorreu nas duas reuniões anteriores.

Durante um debate realizado em agosto deste ano, os quatro principais candidatos foram questionados por seus projetos para manter a paz do país, ainda frágil.

Todos coincidiram em três pontos: reduzir a pobreza (50% da população vive abaixo do umbral), eliminar a corrupção e revitalizar a economia, que há três anos está em recessão, desde que a epidemia de Ebola mais grave da história matou quase 5 mil pessoas na Libéria.

Após a guerra civil, o país recuperou suas exportações de cacau, café, ferro, ouro e diamantes e conseguiu cancelar quase US$ 4 bilhões de dívida externa, o que fez com que o Produto Interno Bruto (PIB) passasse de uma queda de 31,3% em 2003 a um crescimento de 8% em 2005.

O PIB se manteve nesta linha até 2013, ano no qual o Governo anunciou um aumento de 7% para 2014, mas o Ebola mudou este prognóstico.

Só na Libéria, o vírus contagiou 10.322 cidadãos, e 4.608 deles faleceram, o que lhe transforma no país com mais vítimas.

"Ainda hoje não deixamos de pensar no que ocorreu esses dias, nos quais a equipe de Governo estava perplexa e perturbada pelos estragos de uma doença que não conhecíamos", disse a presidente neste final de semana durante a inauguração de um centro de saúde.

O plano de contingência que foi colocado em andamento para tentar frear a letal epidemia - pelo qual inclusive foi decretado o fechamento de fronteiras - teve seu reflexo na economia, e o crescimento de 2014 reduziu finalmente a 0,7%.

Em 2015 não houve aumento do PIB (0%), e em 2016 entrou em cifras negativas com -1,6%, o que deixa o país, já por si um dos mais pobres do mundo, em uma situação delicada.

Os especialistas negam que a queda no PIB se deva unicamente à epidemia de Ebola, e sublinham fatores como o histórico déficit de infraestruturas que sofre o país, algo que afetou diretamente a organização das eleições.

"Nosssas estradas são deploráveis", admitiu um diretor da Comissão Eleitoral ao jornal "Liberian Observer" a apenas quatro dias das eleições, quando mais de 10 caminhões cheios de cédulas eleitorais estavam atolados em caminhos de terra por conta da época de chuvas.

"As decisões correspondem à Libéria, mas, se tivesse que fazer uma recomendação sobre o processo eleitoral, sugeriria que fossem realizado durante uma estação seca", apontou uma porta-voz da missão de observação da União Europeia ao citado jornal.

Apesar da popularidade do jogador George Weah, que já concorreu às eleições em 2005, o vice-presidente Joseph Boakai parte como favorito nas eleições de amanhã.

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