Misteriosos cortes de cabelo forçados paralisam Caxemira indiana

Shah Abbas.

Srinagar (Índia), 9 out (EFE).- A Caxemira indiana amanheceu nesta segunda-feira com a greve convocada pelos separatistas e com medidas de restrição adotada pelas autoridades para tentar conter o pânico causado por pelo menos 49 ações de indivíduos que têm cortado o cabelo de mulheres contra a vontade delas.

O crescente número de casos de corte de trança, e algumas vezes de barba, instaurou o medo na população, mas também está gerando episódios de violência em alguns lugares onde as pessoas tem feito justiça por conta própria. De acordo com a delegacia de Srinagar, até agora foram registradas 49 ações em que a vítima teve os cabelos cortados e 30 tentativas frestadas.

Um importante funcionário do Centro de Controle da Polícia de Srinagar indicou à Agência Efe que estão vigorando hoje restrições em sete pontos da cidade, que fica no norte da Índia.

"Estas medidas foram impostas para manter a lei e a ordem", disse ele, que preferiu não ser identificado.

As restrições, que normalmente representam suspensão no uso da internet, limitação ao direito de reunião e proibição de andar por determinadas áreas, foram acompanhadas de uma greve geral convocada pelos separatistas, que veem por trás desses assaltos uma manobra do governo para prejudicar os cachemires.

"É uma conspiração pensada para enfraquecer a luta do povo cachemir. Quem mais, se não a Inteligência da Índia e as agências de segurança, pode fazer estas conspirações?", disse à Efe, por telefone, o líder separatista Syed Ali Geelani, em prisão domiciliária desde 2010.

Geelani e os também separatistas Mirwaiz Umar Farooq e Muhammad Yasin Malik assinaram hoje afirmando que cortar tranças coloca em "jogo a dignidade das mulheres".

"De forma alguma nos farão abandonar a resistência. Buscaremos o direito à autodeterminação", diz o texto dos três, que responsabilizam às forças indianas pelo que tem ocorrido.

O governo também não está confortável com a situação. A chefe de governo de Jammu e Caxemira, Mehbooba Mufti, pediu no fim de semana que a Polícia acelere as investigações, mas o inspetor de polícia Munir Khan admitiu que não há pistas.

"As testemunhas se negam a colaborar e a Polícia não consegue rastrear os criminosos", disse ele à Efe.

Khan lamentou que, em vez de ajudar, as pessoas preferem fazer justiça com as próprias mãos, o que se traduz em agressões contra inocentes.

Hoje, a Polícia informou que, no último fim de semana, seis turistas que foram parar por engano em um povoado da região foram confundidos com os autores dos cortes de cabelo e só conseguiram sair do local com a ajuda de agentes. Na sexta-feira passada, um homem de 70 anos foi apedrejado e queimado vivo no distrito de Anantanag, no sul de Caxemira, acusado de cortar tranças.

"Não sabemos muito sobre quem está cometendo esses atos, mas formamos equipes de investigação especial em cada um dos distritos e esperamos chegar a uma conclusão logo", declarou Khan.

sa-jlp/cdr

(fotos) (vídeo)

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