Sérvia tacha absolvição do bósnio Naser Oric de "vergonhosa"

Belgrado, 9 out (EFE).- Belgrado tachou nesta segunda-feira de vergonhosa a sentença ditada em Sarajevo contra Naser Oric, ex-comandante militar bósnio-muçulmano em Srebrenica, após responder a um processo por crimes de guerra contra sérvios em 1992 no conflito bósnio.

A ministra sérvia de Justiça, Nela Kuburovic, declarou que a decisão "vergonhosa" do tribunal bósnio é uma amostra de que "para as vítimas sérvias não há justiça".

Em um comunicado do citado ministério, Kuburovic assegura que o Judiciário sérvio não renunciará à acusação por crimes de guerra contra Oric, a quem considera responsável por "brutais" assassinatos e torturas "contra a população civil".

Ao mesmo tempo, a ministra destacou que seu país não renunciará à política de reconciliação e boas relações na região balcânica, e pediu aos vizinhos "a mesma dedicação" a esse objetivo.

Também o titular de Relações Exteriores, Ivica Dacic, se mostrou indignado e qualificou a sentença como "descaramento, humilhação e injustiça para as vítimas sérvias".

"A decisão sobre a absolvição de Oric é uma mensagem de que ele não responderá pelos crimes contra sérvios. Como alguém que pensa dessa forma pode edificar a paz, estabilidade e reconciliação na região?", declarou o chefe da diplomacia sérvia à agência Tanjug.

Oric e o ex-militar Sabahudin Muhic foram absolvidos hoje pelo Tribunal da Bósnia-Herzegovina em Sarajevo das acusações de crimes de guerra, incluindo o assassinato de três prisioneiros sérvios em 1992 nas aldeias de Zalazje, Lolici e Kunjerac, nas zonas orientais bósnias de Bratunac e Srebrenica.

O ex-comandante tinha sido detido em junho de 2015 na Suíça por uma ordem da Sérvia, mas finalmente foi extraditado à Bósnia.

Muitos bósnio-muçulmanos o consideram um herói e sua detenção causou protestos de Sarajevo e tensões com Belgrado.

Oric foi acusado pela primeira vez em 2003 e condenado a dois anos de prisão pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPIY), em Haia, mas em 2008 foi absolvido.

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