Bangladesh diz que Mianmar preparou "limpeza" de rohingyas um mês antes

Daca, 10 out (EFE).- O ministro de Relações Exteriores de Bangladesh, Abul Hassan Mahmood Ali, afirmou nesta terça-feira que a Mianmar preparou a "limpeza da zona" pelo menos um mês antes do ataque insurgente do dia 25 de agosto contra os postos de segurança e que suscitou a campanha militar e a crise humanitária na região.

"Ainda que os postos de segurança de Mianmar tenham sido atacados em 25 de agosto, o Exército tinha reforçado a presença no norte de Rakhine um mês antes. Em resposta ao ataque, o Exército, como tinha preparado, realizou grandes operações policiais em Maungdaw, Rathedaung e Buthidaung", indicou o ministro, em discurso no Instituto de Estudos Internacionais e Estratégicos.

O Exército de Salvação Rohingyas Arakan (Arsa), classificado como organização terrorista pelo governo de Mianmar, lançou no dia 25 de agosto uma série de ataques contra postos policiais e militares birmaneses. As ações foram respondidos com uma operação militar na região.

Desde então, mais de 500 mil rohingyas fugiram com medo dos assassinatos e dos incêndios nos povoados. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos qualificou a operação militar de "limpeza étnica". Ali reiterou hoje que existem dados que mostram que 3 mil rohingyas foram mortos no estado Rakhine e a organização Human Rights Watch informou de pelo menos 284 povoados foram arrasados.

As declarações do ministro foram dadas um dia depois de ser anunciada a disposição de Bangladesh de cooperar com Minamar no quesito segurança e ser proposta, para o fim do mês, a visita a esse país do ministro de Interior Asaduzzaman Khan Kamal, com o objetivo de avançar na solução da crise.

Na semana passada, Kyaw Tint Swe, conselheiro da líder de Mianmar e prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, se reuniu em Daca com o Ali e apresentou uma proposta para aceitar o retorno dos refugiados. Para isso, ficou acertada a formação de um a comissão mista para estabelecer a forma como acontecerá a divisão dos rohingyas, uma comunidade muçulmana que o governo birmanês não reconhece como sua e à qual Bangladesh, que antes da atual crise já registrava a presença de 300 mil membros, veio ignorando até agora.

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