Gorbachev alerta sobre existência de "várias Catalunhas" dentro da Rússia

Moscou, 10 out (EFE).- O último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, disse nesta terça-feira que há várias Catalunhas dentro da Rússia e que o país precisará resolver a situação de seus territórios com características nacionalistas que podem querer a separação do governo central.

"Nós temos várias Catalunhas e ainda teremos que resolver esses problemas. Devemos conhecer nossa história e tirar nossas conclusões", disse Gorbachev durante a apresentação de seu último livro, com o nome de "Sigo Sendo Otimista, em Moscou.

As declarações foram uma resposta à pergunta de um leitor, que questionou o político se é possível traçar um paralelo entre o desafio independentista da Catalunha e os números conflitos territoriais que sugiram nos últimos anos da União Soviética.

Vencedor do Prêmio Nobel da Paz e considerado como um dos principais responsáveis por encerrar a Guerra Fria, Gorbachev também falou sobre a "perestroika", as reformas iniciadas por ele na União Soviética e que culminou, apesar de seus esforços, no desaparecimento do regime comunista.

"Foi uma realidade, apesar de ter sido interrompida depois. A 'perestroika' deu um empurrão que pôs não só nosso país e a nossa gente em movimento, mas sim todo o mundo", disse Gorbachev.

No livro lançado hoje, a primeira autobiografia oficial do ex-líder soviético, Gorbachev expressa opiniões sobre personagens como o ditador Josef Stalin e o atual presidente da Rússia, Vladimir Putin. Além disso, trata de assuntos como a anexação da Crimeia.

Gorbachev tem uma relação tensa com Putin, que o acusa de não ter defendido devidamente os interesses da União Soviética. O ex-líder, por sua vez, critica o presidente por suas tendências autoritárias.

No entanto, Gorbachev elogiou algumas decisões recentes do Kremlin, como a anexação da Crimeia e a intervenção na Síria.

No evento, o ex-líder soviético não economizou críticas aos Estados Unidos e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por enviar armamento pesado para o leste da Europa e adotar sanções econômicas contra a Rússia. Contudo, Gorbachev defende uma aproximação entre o Kremlin e a Casa Branca para diminuir as tensões, evitando que o mundo entre em uma nova Guerra Fria.

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